Lisboa, 5 de Outubro de 1998

Somos uma equipa de jornalistas e escritores de língua portuguesa. Neste ancoradouro propomo-nos ir contando um sem-fim de vidas lusófonas que marcaram uma actividade, um país, uma época. Em cada biografia iremos aliar o rigor da informação ao fascínio da intriga romanesca no presente do indicativo, tudo é actual, meia dúzia de páginas por vulto, concisão. E iremos depois traduzi-las para inglês para que o resto do mundo saiba quem nós fomos, quem nós somos. Não queremos da Internet apenas um barco para irmos a navegar pelo mundo. Também queremos que o mundo comece a navegar por este mar em cujas margens se fala português. Este site não é pois um manual de História. É sim uma galeria de retratos recriados a partir de pistas que a História nos legou. Plutarco e Tácito desbravaram: cada vida, cada conto.

Todos os meses uma remessa de textos novos, universo em expansão. São vários os autores de VIDAS lusófonas: africanos, brasileiros e portugueses. Embora sigamos as normas estilísticas que antecipadamente fixámos, cada qual irá alinhar as frases ao seu jeito pessoal, que é também um dos jeitos da sua terra. Se, por causa das variantes, algum Rodriguinho torcer o nariz, não se dê troco. A língua portuguesa recusou-se a ser o galego do sul, espalhou-se pelo mundo, já tem hoje muitos e diversos ramos. O melhor é gozar-lhe a sombra, vastidão.

Vamos organizar concursos que solicitam aos navegadores deste site textos breves sobre figuras e factos históricos dos mundos lusófonos. Para Ihes facilitar a vida facultamos as normas estilísticas acima referidas. Também estamos decididos a promover conversas interactivas (chats) com grandes vultos lusófonos. Por exemplo Fernão de Magalhães ou Camões, Aleijadinho ou Machado de Assis, Samora Machel, Agostinho Neto ou Amílcar Cabral on line.

Finalmente uma carta de marear destinada ao jovem navegador que demande este porto de abrigo:

Repara na criança de tenra idade: brinca e chapinha na correnteza de palavras em que os adultos diariamente a mergulham. Assim, por obra e graça do Espírito Santo de Orelha, muito tempo antes de saber ler já é capaz de falar correctamente. E se crescer em ambiente culto, em breve falará que nem o Menino Jesus na Sinagoga. Aprende tu a escrever como as criancinhas aprendem a falar. Se mergulhares nos textos dos bons autores, sem dares por isso logo começas a escrever bem.

Um apelo: sê intransigente na defesa da tua espontaneidade! Agarra a simplicidade, deixa-te de rodeios, aponta ao coração de cada instante. Treina-te para ganhar os concursos de VIDAS lusófonas! Aproveita as conversas (chats) com os grandes vultos que falam a nossa língua. Quando conseguires domar as nossas sete normas estilísticas, deves então mandá-las para as urtigas e tratar de inventar as tuas. Se o conseguires, é porque já temos um escritor pela proa... Mãos à obra!