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Soeiro Pereira Gomes
manuel da fonseca
Carlos De Oliveira
Maria Lamas
Arlindo Vicente
Políbio Gomes Dos Santos

João Machado



Nasce em Lisboa em 1943. Estuda sempre em Lisboa. Licencia-se no Instituto Superior de Ciências Sociais e Política (antigo ISCSPU, depois ISCSP) em 1963.

Faz a quarta classe com professora em casa. Adapta-se com dificuldade ao liceu. Desde pequeno que sonha em ir para África, que idealiza como um sítio maravilhoso. Assim vai estudar para o ISCSP. Começa a perceber a gravidade da realidade africana graças aos colegas, na maior parte oriundos das colónias. Desiste de ir para África. Devido à falta de saúde, não faz serviço militar, o que, de certo modo, constitui uma sorte.

Católico entre os quinze e os vinte anos, chega a pertencer à Juventude Universitária Católica. Abandona esta organização, horrorizado com as prelecções de D. António dos Reis Rodrigues, então orientador da JUC.

Entretanto, aos vinte e um anos, colabora num estudo sobre “A Imagem da Mulher em Portugal”, levado a cabo pela Professora Palmira Duarte, baseado em inquéritos à população, segundo uma amostra que incluía representantes dos vários extractos sociais. A realização dos inquéritos leva-o a percorrer a Grande Lisboa e a começar a contactar mundos que lhe eram desconhecidos.

A sua visão do mundo evolui significativamente a partir da experiência tida num internamento prolongado num sanatório, aos 22 e 23 anos de idade. A leitura de Zola, Dostoievsky e Soljenitsyne, que ocorre em grande escala nessa altura, também contribui bastante para essa evolução. Vem a seguir a descoberta de Marx e de Marcuse. O contacto com as populações proletárias e sub-proletárias torna-se uma constante da sua vida.

Começa a sua vida profissional como professor de geografia do ensino nocturno. A seguir à doença grave que o afectou, trabalha no Ministério das Obras Públicas. Aos vinte e seis anos para o Serviço de Promoção Social, ligado à então chamada assistência social. De algum modo, mantém-se ligado a este sector até à sua aposentação, aos sessenta e dois anos, sempre como funcionário público.

Em 1971 participa num inquérito a agricultores beneficiários de sistemas de rega que estavam a ser introduzidos numa zona do Alentejo. Regista a estagnação e o abandono predominantes neste sector, e constatou a grave crise social existente.

Aos vinte e oito anos permanece quatro meses nos Estados Unidos. Passa a maior parte deste tempo no estado do Minnesota, o mais progressista do país, pelo que o informaram. Tem ocasião de avaliar as grandes diferenças entre os dois países, e de verificar a péssima imagem de Portugal lá fora. Observa as manifestações gigantes contra a guerra do Vietname.

Como funcionário público, na maior parte do tempo em que prestou serviço, trabalha na acção directa. Chega a estar requisitado numa Câmara Municipal, sempre exercendo funções na área social. Nos últimos anos, exerce funções de inspecção.

Em 1975 é colocado (a pedido seu) no serviço de acção directa da Amadora, onde trabalha 12 anos. Familiariza-se cada vez mais com a vida das classes desprovidas. Julga poder ufanar-se de ter dado um contributo, modesto mas significativo, para a melhoria de algumas situações de uma cidade que muitas pessoas, pouco familiarizadas com a realidade social, dizem parecer pertencer ao chamado terceiro mundo. Também julga que é como reconhecimento do seu trabalho que foi há alguns feito padrinho de uma creche familiar no bairro da Cova da Moura.

Quando se cria uma delegação da Segurança Social na Amadora, é mandado para os serviços centrais. Começa então a colaborar num dicionário enciclopédico, e a fazer traduções. Escreve artigos de natureza vária para revistas com que colabora. Desenvolve vários trabalhos para o então chamado Centro de Reflexão Cristã, sob a orientação da Professora Manuela Silva.

Consegue voltar à acção directa, passados anos. É então que vem a ser requisitado por autarquia. Por último entra na carreira da inspecção.