Neste site colabora com a(s) seguinte(s) biografia(s):

Heitor Villa-Lobos
Bento de Jesus Caraça
Fernando Lopes-Graça

Leonor Lains



Nasce entre o ranger das carripanas nas ruas de Lourenço Marques e o folhear dos chás do Zambéze. Deixa Moçambique em 50, tem três anos. Na Serra da Estrela assiste às festas tradicionais da matança do porco. Na Páscoa besunta os beiços com grandes medalhas de açúcar colorido que têm a estampa de uma santa devota. Nas narinas ficam os cheiros a morcela de arroz e a terra molhada. Anda por aí e chega a Lisboa aos nove anos e vê pela primeira vez um elevador.

Faz os seus estudos no Liceu Francês. Os cafés são a sua Universidade. Tem como mestres poetas, escritores e alguns varredores de sonhos. Entra na Academia de Amadores de Música e faz os seus estudos musicais com Francine Benoit, Filipe Louriente e Louis Saguer. Vagueia entre Lisboa, Paris e Amsterdão durante o período. Em 70 inicia a sua colaboração com Michel Giacometti e durante sete anos faz trabalho de campo acompanhando também Lopes-Graça.

A Revolução dos Cravos que ficou para trás leva-a à Arte Dramática. É actriz no Teatro Experimental de Cascais, Teatro de Almada, Teatro de Seiva Trupe no Porto. Em 82 começa a dar aulas de Música no ensino básico e secundário.

Exerce funções de animadora cultural no âmbito da Música e do Teatro na Câmara de Almada entre 90 e 93. Volta ao ensino e dá aulas de dramaturgia, ao mesmo tempo que faz programas de televisão e crítica musical. Colabora no projecto «80 Vidas que a morte não apaga». Volta à Academia de Amadores de Música como adjunta da direcção e relança a Gazeta Musical.