Treze vezes cativo e dezassete vendido...

Fernão Mendes Pinto

Aventureiro, escritor:
1510 - 1583



Quando tudo aconteceu...

c.1510: Nasce Fernão Mendes Pinto em Montemor-o-Velho. - c.1521: A família de Fernão parte (ou talvez fuja) para Lisboa. - c.1523: Em viagem por mar de Lisboa a Setúbal é aprisionado por corsários franceses - 1537: Embarca para o Oriente. - 1539: Por incumbência do capitão de Malaca faz contactos diplomáticos com o rei dos Batas e Araús. - 1542: A sua primeira viagem ao Japão, em companhia de Diogo Zeimoto, que ali introduz as armas de fogo. - c.1553: No Japão, conhece, colabora e torna-se admirador de S. Francisco Xavier. - 1554: Em Goa, entrega toda a sua fortuna aos pobres e à Companhia de Jesus, na qual ingressa como irmão leigo. - 1557: Sai da Companhia de Jesus. - 1558: Regressa a Portugal. - c.1562: Já casado com Maria Correia Brito (trinta anos mais nova do que ele), retira-se para a Quinta que comprara no Pragal (perto de Almada) - 1569: Começa a escrever a Peregrinação que será concluída em 1578. - 1583: Em Janeiro, Filipe II concede a Fernão uma tença anual de dois moios de trigo; em Julho do mesmo ano, Fernão Mendes Pinto morre no Pragal - 1614: Primeira edição (expurgada) da Peregrinação.

Ler mais...




FERNÃO, MENTES? MINTO!

Fevereiro de 1583. No terraço da casa, contemplando vinhas e arvoredos, meto conversa com o velho contador de histórias que já correu muito mundo:

- Fernão, mentes?

Encolhe os ombros, sorri:

- Queres que eu diga "minto!", só para fazeres o trocadilho de Fernão Mendes Pinto com Fernão Mentes Minto?

- E não mentes? É o que todos dizem, tão espantosas são as coisas que tu contas...

- Mais espantados ficariam se as tivessem visto como eu as vi: cortejos com milhares de figurantes, multidões em movimentos aguerridos, manadas de elefantes conduzidos por soldados (como se cavalos de batalha fossem aquelas alimárias), naufrágios em que se perderam tesouros e mais tesouros, travessias de pântanos e florestas com feras muitas, combates em alto mar em que todos (ou quase todos) pereceram, cidades cercadas e logo mais totalmente destruídas por incêndios, princesas formosas em seus palácios deslumbrantes e mendigos mutilados, paixões e desvarios...

- Queres então dizer que não mentes?

- E o que é mentir?

- É não faltar à verdade.

- E és tu a decidir o que é verdade, o que é mentira ? Nem sequer suspeitas que a mentira menor e aparente, pode ser um dos caminhos para a verdade maior e oculta? Repara que nem sempre a mentira é o oposto da verdade, pode ser até o seu mais precioso instrumento...

Com estas especulações não iremos longe. Mudo o rumo da conversa:

- Estamos aqui, na tua quinta do Pragal, na margem esquerda do Tejo. Mas tu, ao que sei, nasceste na margem direita do Mondego.

- Sim, em Montemor-o-Velho.

- Portanto na mesma terra daquele Jorge de Montemor que foi para Castela e ali fez carreira de escritor. Apesar de cristão-novo, um bom escritor, tu não achas?

- Tu o dizes, que não eu.

- Também a tua família saiu, ou fugiu de Montemor para Lisboa, tinha tu uns dez ou doze anos. Porquê?

- Não quero recordar a tristeza desses tempos.

- Mas lembras-te?

- Sim, lembro-me que, ao arribar a Lisboa, havia luto pela morte de D. Manuel I. Já te disse que foram tempos tristes.

- Mas uma coisa é a morte d’el-rei Venturoso, outra é a tua vida. O que é que aconteceu contigo e com a tua família? Haveis sofrido alguma perseguição em Montemor?

- Não quero falar disso.

- Seja! Mas ao menos, em Lisboa, viveste sossegado?

- Nem por isso... Menino e moço, com a morte diante dos olhos, tive outra vez que fugir. Em Alfama, no cais de pedra tomei uma caravela para Setúbal mas, ao largo de Sesimbra, fomos abordados por corsários franceses. Escapei da morte, até hoje não sei ao certo como. Em vez de me venderem como escravo no norte de África, acabaram por me largar na praia de Melides, desígnios de Deus...

- Fugiste de Lisboa, mas porquê?

- Não te interessa.

- Está bem, não me interessa. Mas ouve lá: partiste para o Oriente em 1537, justamente um ano depois da Inquisição se instalar aqui no Reino. Foi por acaso que partiste? Ou uma coisa está ligada à outra?

- E o que tens tu a ver com isso? Por acaso és do Santo Ofício?

Por aqui também não há saída.




PEREGRINAÇÕES

Torno a mudar de rumo:

- Por isto, ou por aquilo, não importa, sei é que partiste para o Oriente em 1537. E só voltaste ao Reino em 1558. Portanto, 21 anos de aventuras, não é?

- Desventuras...

- Desventuras porquê? Por teres estado em cativeiro? Quantas vezes, afinal, foste cativo?

- Treze vezes cativo e dezassete vendido nas partes da Índia, Etiópia, Arábia, Feliz, China, Tartária, Maçágar, Samatra e muitas outras daquele oriental arquipélago dos confins da Ásia, a que os escritores chins, siameses, guéus e léquios nomeiam nas suas geografias como Pestana do Mundo.

- Treze vezes cativo e dezassete vendido? Má sorte, Fernão, má sorte, realmente....

- Quando às vezes ponho diante dos olhos os muitos e grandes trabalhos e infortúnios que por mim passaram, começados no princípio da minha idade e continuados pela maior parte e melhor tempo da minha vida, acho que com muita razão me posso queixar da ventura que parece que tomou por particular tenção e empresa sua perseguir-me e maltratar-me, como se isso lhe houvera de ser matéria de grande nome e de grande glória; porque vejo que não contente de me pôr na minha pátria, logo no começo da minha mocidade, em tal estado, que nela sempre vivi em miséria e em pobreza, e não sem alguns sobressaltos e perigo de vida, me quis também levar às partes da Índia, onde em lugar do remédio que eu ia buscar a elas, me foram crescendo com a idade os trabalhos e os perigos.

- Má estrela, a tua.

- Mas tudo tem o seu avesso, disse o Sá de Miranda, e disse-o bem. Quando vejo que do meio de todos estes perigos me quis Deus tirar sempre a salvo e pôr-me em segurança, acho que não tenho tanta razão de me queixar de todos os males passados, quanto tenho de lhe dar graças por este só bem presente, pois me quis conservar a vida para que eu pudesse fazer esta rude e tosca escritura que por herança deixo a meus filhos.

Sei que está a referir-se, não à sua quinta no Pragal, mas ao livro de memórias que já acabou de escrever. Logo se entusiasma e começa a contar-me, de forma colorida e concisa, as suas peregrinações. Aliás, Peregrinação é justamente o título desse livro que espera publicar em breve. Estou a ouvi-lo e, tão bem conta, que me parece estar também a vê-lo:

Aí vai ele, desde a Arábia ao arquipélago dos japões, ora como enviado do capitão de Malaca, ora como mercador e até como pirata no bando de António Faria. Cruza todas as rotas entre Malaca e a Pestana do Mundo, demanda e fundeia e assalta e rouba e profana mausoléus para tomar as jóias dos defuntos e mata populações indefesas e é cercado e surrado e foge e pede esmola de porta em porta e é preso e escravizado e vendido por todos esses portos do Oriente. Umas vezes é a má sorte que o lança na miséria, doutras um golpe d’asa que o empurra para a fortuna fabulosa. Cruza o império chinês até à Mongólia e acompanha ao arquipélago dos japões Diogo Zeimoto, o primeiro português, o primeiro europeu a introduzir ali as armas de fogo.

Interrompo-o:

- Como foi isso?

- Passou-se na ilha de Kiushu e corri grande perigo. Os desta terra, para quem este modo de tiro de fogo foi cousa que até então não tinham visto, tamanho caso que fizeram disso, que o não sei encarecer. O segundo filho de el-rei, por nome Arichandono, moço de dezasseis até dezassete anos, e a quem ele era muito afeiçoado, me requereu algumas vezes que o quisesse ensinar a atirar, de que me eu escusei sempre, dizendo que havia mister muito tempo para o aprender. Porém ele não aceitando esta minha razão, fez queixume de mim a seu pai, o qual, pelo comprazer, me rogou que lhe desse um par de tiros para lhe satisfazer aquele apetite; a que respondi que dois, e quatro, e cento, e quantos sua alteza mandasse. E porque ele neste tempo estava comendo com seu pai, ficou para depois que dormisse a sesta, o qual ainda aquele dia não teve efeito porque foi aquela tarde com a rainha sua mãe a um pagode de grande romagem, onde se fazia uma festa pela saúde de el-rei. E logo ao outro dia seguinte, que foi um sábado, véspera de Nossa Senhora das Neves, se veio pela sesta à casa onde eu estava sem trazer consigo mais que só dois moços fidalgos, onde me achou dormindo sobre uma esteira; e vendo estar a espingarda pendurada, não me quis acordar, com propósito de tirar primeiro um par de tiros, parecendo-lhe, como ele depois dizia, que naqueles que ele tomava não se entenderiam os que lhe eu prometera. E mandando a um dos moços fidalgos que fosse muito caladamente acender o morrão, tirou a espingarda donde estava, e querendo-a carregar como algumas vezes me tinha visto fazer, como não sabia a quantidade de pólvora que lhe havia de lançar, encheu o cano em comprimento de mais de dois palmos, e lhe meteu o pelouro, e a pôs no rosto e apontou para uma laranjeira que estava defronte; e pondo-lhe o fogo, quis a desventura que arrebentou por três partes, e deu nele, e lhe fez duas feridas, uma das quais lhe decepou quase o dedo polegar da mão direita, de que o moço logo caiu no chão como morto, o que vendo os dois que com ele estavam, foram fugindo caminho do paço, e, gritando pelas ruas, iam dizendo: "A espingarda do estrangeiro matou o filho de el-rei!".

- É essa má sorte que te persegue sempre... E depois?

- Levantou-se um tamanho tumulto na gente, que toda a cidade se fundia, acudindo com armas e grandes gritas à casa onde o pobre de mim estava, e já então qual Deus sabe, porque acordando eu com esta revolta e vendo jazer o moço no chão junto de mim, ensopado todo em sangue, sem acudir a pé nem a mão, me abracei com ele já tão desatinado e fora de mim, que não sabia onde estava. Abreviando: a minha sorte foi o moço acordar e apontar para mim, dizendo a seu pai: "Se o matarem, eu morro outra vez".

É ainda nessa Pestana do Mundo que Fernão se deixa avassalar pela personalidade de Francisco Xavier que ali vivia em missão de converter os japões à doutrina da nossa Santa Madre Igreja. Mas tempos depois morre o Santo e Mendes Pinto, em fúria mística (ou talvez por temer regressar ao Reino por via de alguma coisa que aqui lhe mete mede) troca o ouro pelo Cristo e, já em Goa, distribui toda a sua riqueza pelos pobres e pela Companhia de Jesus, na qual ingressa como irmão leigo. Isto acontece em 1554. Três anos depois amansa e retira-se da Companhia; mas por bem, continuando a manter relações amigáveis com os padres.

Duvido:

- Por bem, ou foste expulso da Companhia?

- Por bem, por bem. Ainda o ano passado estiveram aqui dois padres jesuítas a colher muitas informações sobre S. Francisco Xavier, com quem eu muito trabalhei e convivi lá no arquipélago dos japões. E foi por influência desses dois padres que el-rei D. Filipe, o Segundo, acabou por me conceder, o mês passado, uma tença anual de dois moios de trigo.

Em 1558 Fernão regressa finalmente a Portugal. Talvez aquelas boas relações com os jesuítas tenham sido afinal o escudo que ambicionava para se defender do que parecia temer aqui...

Mas isso agora não conta, só conta o que ele conta. E é tudo tão vivo e tão bem contado, saltando de cena para cena com tanta pressa, que chego até a perder o fôlego. A narrativa começou ao raiar do dia, agora o sol já vai descendo para o ocaso e entrementes comemos apenas uma fatia de vianda e bebemos um ou dois copos de vinho tinto. Estou em crer que, para achar desculpa para tantos crimes e sangueiras, Fernão usa como disfarce o cognome de António Faria, o grão pirata. Atrocidades que ele relata de forma tão natural e inocente quanto o respirar, o comer, o beber e o dormir. De rebate de consciência parece que não sofre, nem ele nem qualquer dos outros portugueses dados à pirataria lá pelas bandas do Oriente.

Algo mais me deixa atordoado: quando Fernão começa a troçar dos sacerdotes orientais que atiram punhados de arroz sobre as cabeças dos fiéis, eu não queria mas só me lembro dos nossos padres a aspergir água benta sobre a multidão de crentes e peregrinos. E quando ri dos chins que oferecem banquetes a seus familiares defuntos (banquetes que são depois comidos pelos sacerdotes), eu não queria mas só me lembro dos jubileus da nossa Santa Madre Igreja. E quando entra a escarnecer dos gentios do reino do Pão que afirmam ser grande pecado comer carne de porco, eu não queria mas só me lembro de Damião de Gois ameaçado de excomunhão por causa de umas salmouras a escorrerem gordura para uma capela e ainda por comer carne em dias proibidos pela Igreja.

Tenho uma súbita iluminação e pergunto:

- Fernão: acusou-vos de quê, aquele menino que haveis raptado na China?

E ele repete as palavras, chega mesmo a aflautar a voz, como se ele fosse o menino:

- Louvais a Deus depois de fartos, com as mãos alevantadas e com os beiços untados, como homens que lhes parece que basta arreganhar os dentes ao céu, sem satisfazer o que têm roubado. Pois entendei que o Senhor da Mão Poderosa não nos obriga tanto a bulir com os beiços quanto nos defende tomar o alheio – quanto mais roubar e matar, que são dois pecados tão graves quanto depois de mortos conhecereis no rigoroso castigo da sua divina justiça.

- E o rei dos Léquios, quando vos expulsou da sua ilha, o que vos disse exactamente?

E ele repete as palavras do tal reizinho:

- Não me é dado, por ter o ofício de rei, ver gente que, conhecendo muito de Deus, usa pouco da sua lei, tendo por costume roubar o alheio.

- E o que é que estava escrito, em língua chinesa, sobre o terríbil Afonso de Albuquerque naquela lápide de que falaste?

Fernão sorri e repete a inscrição:

- Capitão Albuquerque, leão dos roubos do mar.

Concluo:

- E tu estás de acordo, suponho...

Reage, protesta:

- Não, não, isso dizem os chins. Eu digo que D. Afonso de Albuquerque é vero herói lusitano, varão assinalado por via das guerras ganhas e de muitas outras obras valerosas.

Estou em crer que Fernão põe na boca dos gentios palavras e opiniões que são da sua lavra. Não se arrisca é a assumi-las como suas. Bem o entendo. Nos turvos tempos em que estamos mergulhados, cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém...





A CEIA

A Senhora D. Maria Correia Brito, esposa de Fernão, vem ao terraço da casa e convida-nos a entrar, a ceia vai ser servida. É senhora de respeito, mui formosa e gentil, e também muito nova. Terá uns quarenta anos e Fernão já passa dos setenta. Duas donzelas de trato afável sentam-se connosco à mesa, são as filhas do casal. Fazemos as nossas orações e logo atacamos a iguaria, peixe assado com couves e cebolas alouradas.

Embora adoentado, vê-se que Fernão anda feliz. Depois de tantas aventuras assentou no casamento. Quando em 1558 retornou ao Reino, logo meteu requerimento à Coroa para obter recompensa pelos seus muitos trabalhos no Oriente. Mas só o mês passado, ou seja, em Janeiro de 1583, por influência dos dois jesuítas que vieram inquiri-lo sobre a vida de S. Francisco Xavier, é que obteve de el-rei a ambicionada recompensa. Por ela esperou portanto 25 anos... Não tivesse ele trazido do Oriente ainda alguns meios de fortuna (que lhe permitiram, inclusive, casar e comprar esta quinta do Pragal) e teria, certamente, morrido à fome.

Bebe um último copo de vinho, olha com desvelo para a sua esposa e para as duas donzelas suas filhas, mas creio que a maior esperança da sua vida é ver agora impressa a sua Peregrinação. E ele o diz, como se estivesse a ler o meu pensar:

- Em tempos idos, o Padre Mestre Belchior me mandou que, da minha vida, como de algumas coisas que eu tenha visto, lhe escrevesse mui largo. E eu o fiz, não como devia senão como entendi.

Só temo que o seu entendimento não seja bem entendido por aqueles que muito podem sobre os outros. Mas não lho digo.




EDIÇÃO

1614, finalmente a Peregrinação vem a lume. Esteve muito tempo encalhada entre o Paço e o Santo Ofício.

A última vez que falei com Fernão foi em Fevereiro de 1583. Veio a falecer em Julho do mesmo ano, súbito agravamento da sua doença. Finou-se cinco anos depois de D. Sebastião ter sumido em Alcácer Quibir e três anos depois de se ter finado o nosso próprio Portugal. Agora estamos sob a pata dos Filipes. O Primeiro ainda tentou respeitar a nossa forma de ser e estar, essa era também a opinião do Mendes Pinto, ele mo disse. Mas o Segundo já nos cinge, já nos aperta, pretende agora conformar-nos ao molde castelhano.

Releio os apontamentos que escrevi em Fevereiro de 1583. Deles ressalta aquele meu temor que o tempo revelou ser fundamentado. Fernão começou a escrever as suas memórias em 1569 e deu o livro por concluído em 1578. Mas entre a morte do autor e a edição da sua obra, decorreram 30 anos e cinco já tinham decorrido entre a conclusão do texto e o passamento do escritor. Sei que em 1603, depois de vasculhada pelos padres jesuítas, houve licença para a edição da obra. Licença dada talvez pelos mesmos padres que o interrogaram sobre S. Francisco Xavier. Mas nem assim foi editada. E bem expurgado foi, pois nela não consta sequer a passagem de Fernão pela Companhia de Jesus, em Goa...

Houve licença em 1603 mas só foi editada em 1614. Porquê? - pergunto-me. Pressuponho que Francisco de Andrade, cronista-mor do ainda chamado Reino de Portugal, tenha demorado mais 10 anos a tomar o peso de cada uma das suas palavras e a castrar os seus passos mais rudes para não ferir as susceptibilidades de el-rei D. Filipe II e dos novos inquisidores do Santo Ofício.

Folheio a Peregrinação e relembro a última conversa que tive com Mendes Pinto. Esta continua a ser obra viril, apesar das muitas e variadas tentativas de emasculá-la.

Saudades tenho daquele mercador-pirata que um dia surdiu frente a Lisboa para depois ir lançar ferro numa quinta do Pragal.