Morro pela liberdade!

Domingos José Martins

LIBERTADOR BRASILEIRO:
1781 - 1817



Quando tudo aconteceu...

1781: Domingos José Martins nasce no sítio Caxangá, nas proximidades de Itapemirim, no estado do Espírito Santo, no dia 9 de maio. Filho do capitão de milícias Joaquim José Martins e D. Joana Luiza de Santa Clara Martins, sua prima nascida na Bahia.
1781/1814: Inicia estudo primário na capital do Espírito Santo, completando sua formação em Portugal. »» Vai para Londres, onde emprega-se no comércio e posteriormente torna-se sócio do estabelecimento comercial.
1800: Nasce Maria Teodora da Costa, futura esposa de Domingos José Martins.
1805: Na Inglaterra, Domingos José Martins e Bolívar freqüentam a mesma loja maçônica.
1808: O Correio Braziliense, de Hipólito da Costa, passa a ser impresso em Londres e influenciou muito os letrados no Brasil.
1815: Domingos José Martins vai para Pernambuco.
1817: Domingos José Martins casa-se com Maria Teodora Costa, filha do maior comerciante do Recife. »» Lidera uma revolução e funda uma nova República, independente e sem escravos. »» É preso e enviado à Bahia. »» No dia 12 de junho é fuzilado no Campo da Pólvora, hoje Campo dos Mártires.
1818: É suspenso o Tribunal de Alçada, em Pernambuco, mas muitos revolucionários ainda continuam presos.
1821: Com anistia geral, a maioria dos revolucionários ainda presos foram libertados.
1857: Maria Teodora da Costa Martins Pires escreve um relato da revolução de 1817, incluindo textos de Domingos José Martins.
1930/1940: Seu retrato em quadro a óleo é doado à USP, onde se encontra em exibição.
2011: É sancionada lei 12488, que inscreve o nome de Domingos José Martins no Panteão da Pátria e da Liberdade.

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O CIDADÃO

Domingos José Martins, que nasce no Espírito Santo em 9 de maio de 1781, casa-se com a filha do maior comerciante lusitano do Recife.
É essencial o papel desempenhado pela solidariedade de família no desencadear da revolução de 1817. A mulher de Domingos José Martins, que seria fuzilado em 12 de junho de 1817 na Bahia, escrevia-lhe prometendo a influência do pai, em cujo sítio da Ponte d'Uchoa vinha tomar chá, o almirante da armada fluminense que bloqueara o Recife.

Pelas próprias circunstâncias de sua vida, DOMINGOS JOSÉ MARTINS é homem dono de grande capacidade de resolução. Os que na época trataram com ele, pintam-no amigo do mandar e do gastar, ambicioso e afável. Maçom, fizera em Londres amizades nos ambientes liberais e um de seus amigos mais próximos foi o general Miranda, que lutara na guerra da Independência dos Estados Unidos, vindo da França com as tropas de Dumouriez. Miranda participara também de uma tentativa de emancipação da Colômbia em 1805, sufocada pelos espanhóis, e seu sonho somente se concretizou com Simón Bolivar, ao mesmo tempo em que ele morre no cárcere, na Espanha.

Inegavelmente, Martins é um observador inteligente que percebe a evolução das idéias liberais na Europa e bem compreende as aspirações particularistas latino-americanas. Pernambuco é para ele um capítulo glorioso de todo esse grande processo.

Segundo Rousseau em seu livro, Do Contrato Social, “a liberdade de cada homem é o primeiro instrumento de sua conservação”. Em seu outro livro, A origem da desigualdade entre os homens, Rousseau “concebe na espécie humana duas formas de desigualdade: Uma, que chama de natural e a outra, que pode ser chamada de desigualdade moral e política, esta consiste nos diferentes privilégios, como ser mais ricos, mais honrados, mais poderosos do que os outros. Sendo assim o desejo do homem de ser igual ou diferente é tido como origem primária das revoluções ou seja a liberdade é inerente ao homem e é na busca desta, “liberdade tão sonhada”, que Domingos José Martins tem o desejo que a população pernambucana seja livre do jugo Imperial existente.
Assim promove aquela “gloriosa revolução” como dizem alguns historiadores. Trava então uma luta contra os desmandos imperiais de 1817.
A abordagem do tema traz para o leitor uma nova visão sobre um dos líderes desta Revolução. Contempla assim sua idéia de liberdade para os trópicos, especificamente para Pernambuco.
O texto vem corroborar na afirmação de que Domingos é um grande influenciador e disseminador da idéia de liberdade para a população de sua época. Martins, comerciante, maçom e com informações sobre idéias iluministas que trouxera da Europa, encontra em Pernambuco um clima fértil para disseminação das idéias liberais. Pernambuco na época é governado por um governo frágil politicamente e desacreditado pelo povo. Toda essa postura existente ajuda a disseminação das ideais defendidas por Martins que promove o desenrolar da revolução. Como bom liberal e seguidor de Rousseau defende a liberdade de comércio para os trópicos, coisa inexistente na capitânia e contando então com a ajuda de clérigos, que também comungam da mesma corrente.

O contexto histórico em que se encontra o Brasil não é dos melhores para a população do norte (Bahia, Pernambuco e Maranhão). Pernambuco no início do século XIX encontra-se em grandes dificuldades econômicas, sociais e políticas. Domingos Martins descontente com o sistema adotado pelo Rei D. João VI (impostos altíssimos) começa uma investida contra o poder imperial e seus desmandos para com a população brasileira. Conhecedor dos ideais iluministas, já que parte de sua vida passou na Europa (Inglaterra) como grande comerciante que era. Então ele propicia aos seus compatriotas toda uma formação de não aceitabilidade do jugo, formando um contingente de pessoas dispostas a lutarem pela liberdade de expressão, política, comercial entre outras.

Casado de pouco e mesmo em lua de mel deixa sua esposa “chorosa” para atuar em busca do seu ideal, mesmo que esse lhe trouxesse a morte. Segundo escritos Martins é um homem que “anda de braços com todos os cabras, mulatos e crioulos”; nessa citação (Quintas, Amaro) podemos perceber o quanto ele tem influência em todos os níveis sociais e também poder político, pois arregimenta muitos militares para a causa. Mesmo quando Domingos estava na Europa já pensava em fomentar as idéias de liberdade para ajudar seu povo, concretizando-se ao chegar em Pernambuco.

Aí ele toma parte numa revolução que nos trouxe uma república de fato, pequena porém intensa no seu contexto político.

Derrotado, é preso e enviado à Bahia, sendo fuzilado em 12 de junho de 1817, no Campo da Pólvora, hoje conhecido como Campo dos Mártires.

Domingos José Martins foi homenageado pela Polícia Civil do Estado do Espírito Santo que o escolheu como patrono, assim como também é patrono do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (IHGES) em Vitória, cuja data de fundação em 12 de junho de 1916 se deu 99 anos após a sua morte. Além de ser homenageado, também, com uma escola com seu nome: E.E.E.F Domingos José Martins, foi homenageado tendo um município com seu nome nas Montanhas Capixabas ( município DOMINGOS MARTINS).

As últimas palavras do Herói foram: "MORRO PELA LIBERDADE".




REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE 1817

Esta é a última manifestação do sentimento nativista ocorrida no período colonial. A Revolução Pernambucana de 1817 contribui decisivamente para a independência, que ocorre pouco mais tarde, e muitos de seus participantes se destacaram durante o Primeiro Reinado.

O assunto Revolução de 1817 é sem dúvida concreto no que diz respeito a discussão do fato, comprovando que a Revolução Pernambucana de 1817 é um marco para a Colônia, mudando conceitos e idéias de um novo grupo pernambucano, os patriotas, assim chamados os líderes do movimento por seus companheiros. Um termo inspirado no nacionalismo, que não faltava nos líderes de 1817.

Depois da revolução esses líderes assumem o comando de Pernambuco formando um governo, em modelos diferentes do que existia na Colônia. Um governo formado com representações de todos os seguimentos sociais e políticos.
Temos neste seguimento um papel importantíssimo de Domingos José Martins, que defende uma idéia de liberdade para os trópicos especificamente para Pernambuco. Os desmandos do governo imperial têm um peso e uma crueldade tamanha em nível de impostos, recaindo sobre determinados grupos sociais (ricos e pobres).

Martins traz na sua bagagem idealista um desejo de libertar o povo pernambucano deste contexto. Suas idéias rousseunianas no momento são de suma importância, despertando assim em outras pessoas a vontade de dar um basta na situação vigente.
Governa Pernambuco nesta época (Caetano Pinto de Miranda Montenegro), um governo frágil politicamente, dando assim espaço para disseminação de tais idéias.

Martins concentra em sua residência grupos para debates no intuito de formular uma revolução a qual foi antecipada por motivos diversos (traição, conspiração). Mesmo assim a idéia lançada por ele para tal fato nos traz reconhecimento até hoje, provando que aquele ideal político foi de grande relevância para Pernambuco.

Em seu livro Rubro Veio, Evaldo Cabral de Mello conceitua que depois dos movimentos existentes em Pernambuco (a Restauração em 1654 contra o domínio Holandês, Guerra dos Mascates entre 1710 e 1712, a Revolução Pernambucana 1817, Confederação do Equador em 1824 e Revolta Praieira em 1848) “os pernambucanos se orgulhariam de sua participação ativa na história do Brasil, sempre mantendo altos ideais de liberdade”.

Domingos tem uma influência em todos os seguimentos sociais. Apesar da Revolução ter um contexto, historicamente breve, ela foi de suma importância tanto para a sociedade da época quanto para a atual. A capitania ganha um otimismo político e idealista, que até hoje percebemos na sociedade pernambucana. Podemos ver isto numa frase bem contextualizada que diz, “orgulho de ser nordestino”, se esta for entendida a luz dos fatos originais, ou seja, para saber o significado da mesma, temos que buscar nos movimentos sociais pernambucano as informações verdadeiras.

Os principais fatores da Revolução de 1817 são:
- Independência das colônias espanholas que ocorrem na América do Sul.
- Idéias de liberdade do País que vêem se propagando desde o século anterior
no Brasil.
- Abolição da Escravidão, defendida por grande parte da população.

O governador de Pernambuco, Caetano Pinto de Miranda Montenegro fica sabendo dos planos dos revolucionários e manda prender os principais implicados na conspiração. Estes então antecipam a eclosão do movimento, que tem início quando o Capitão JOSÉ DE BARROS LIMA apelidado de " Leão Coroado" mata o oficial português encarregado de prendê-lo.

A revolta se estende rapidamente e os patriotas tornam-se senhores da situação, estabelecendo novo governo assim que Caetano Montenegro vem para o Rio de Janeiro.

Os principais implicados na Revolução Pernambucana de 1817 foram: DOMINGOS JOSÉ MARTINS(o líder), DOMINGOS TEOTÔNIO JORGE MARTINS PESSOA, ANTÔNIO CARLOS RIBEIRO DE ANDRADA, JOÃO RIBEIRO PESSOA, ANTÔNIO GONÇALVES DA CRUZ, JOSÉ DE BARROS LIMA, MIGUEL DE ALMEIDA CASTRO, JOSÉ INÁCIO RIBEIRO DE ABREU LIMA.

Assim que conseguem dominar a situação, os revoltosos organizam um governo provisório. O governo procura logo estender o movimento às outras capitanias e obter o reconhecimento no exterior.

O governo revolucionário pernambucano dura mais de dois meses. Recife é cercada por mar e tropas enviadas da Bahia avançam por terra, colocando os revoltosos em situação desesperadora, desmontando-lhes a resistência.

Dominada a revolução, o governo do Império é implacável ao punir os revoltosos.

São presos, condenados e executados, Domingos José Martins, Domingos Teotônio Jorge, José de Barros Lima, o padre Miguelinho e mais oito implicados no movimento. O padre João Ribeiro Pessoa suicida-se e o padre Roma já tinha sido fuzilado quando anteriormente tentava conseguir adesões à causa revolucionária.