- Dai essa quantia ao rei, não a mim...

teodoro ferreira de aguiar

Cirurgião, militar, diplomata:
1769 - 1827



Quando tudo aconteceu...

1769 –Nasce em Rio de Janeiro, Brasil. 1785 – Estuda latim, lógica e retórica, no Rio de Janeiro. 1788 – Frequenta na Universidade de Coimbra ciências naturais (segundo uns) ou filosofia e medicina(segundo outros). 1792 – Requisitado para prestar serviço no Exército do Reino. Serve na Repartição de Saúde do Exército Francês, sob o comando de Pichegru, onde conhece e cria amizade com Leveillé, que o introduz no Hôtel-Dieu de Paris. 1793 – Frequenta o Curso de Desault no Hôtel-Dieu. Neste mesmo ano, obteve a Carta de Médico do Hôtel-Dieu. 1797 – Ingressa em 23 de Janeiro na Universidade de Leyden. A 18 de Dezembro, já em Portugal, é examinado pelos deputados da Junta do ProtoMedicato. 1799 – O Reitor da Universidade de Leyden comunica na sessão de 27 de Fevereiro, o deferimento do pedido de passagem de um duplicado da Carta de Curso de Teodoro Ferreira de Aguiar, por extravio da primeira. 1802 – Nomeado por decreto de 24 de Fevereiro, Professor Régio de Cirurgia do Hospital Militar, mas não toma posse do lugar. 1803 – A 15 de Setembro era 1.º Cirurgião do Hospital da Marinha. Nomeado delegado da Junta do ProtoMedicato nos bairros da Rua Nova e Ribeira. 1805 – A 15 de Setembro é nomeado Cirurgião Honorário da Real Câmara. É dispensado do exercício de Cirurgião Mor da Armada, em 14 de Outubro. 1807 – Reconduzido por mais três anos como delegado da Junta do ProtoMedicato, em 24 de Agosto. A 9 de Novembro é publicado um Aviso confirmando as requisições de Teodoro Ferreira de Aguiar para melhoria dos serviços dos Hospitais Militares sendo louvado o Enfermeiro Mor do Hospital de S. José pela prontidão com que atende e manda executar esses pedidos. 1808 – A 2 de Abril é encarregado de ensinar Anatomia no Hospital Militar de Rio de Janeiro. 1809 – Passa a ganhar 400$000 anuais, por ser encarregado também do ensino de Ligaduras, Operações de Cirurgia e Partos. A 2 de Dezembro é nomeado Cirurgião Efectivo da Real Câmara. 1810 – É vítima de intrigas palacianas e é afastado do Serviço Real. 1811 – É feita justiça e é reconduzido no Serviço Real e nomeado Cirurgião Mor dos Exércitos e das Armadas. 1812 – Nomeado Director do Hospital Militar do Rio de Janeiro, continua a reger as cadeiras universitárias, exercendo ainda as funções de Inspector do Serviço de Vacinas. 1813 – Dá a liberdade aos seus escravos. É agraciado com a Comenda de Nossa Senhora da Conceição e também com o grau de Cavaleiro da Torre e Espada. Abandona o Rio de Janeiro e ruma a Lisboa, acompanhando o Rei e dormindo na sua Câmara. 1814 – Solicita várias vezes ao Rei a sua demissão dos cargos de Cirurgião Mor do Exército e das Armadas. 1824 – A 16 de Maio, o Rei concede-lhe o seu pedido de demissão dos cargos de Cirurgião Mor do Exército e das Reais Armadas, mas determina que fique unicamente encarregado do seu Serviço Pessoal. Em Dezembro dá conhecimento ao Rei que os interessados no Contracto do Tabaco fazem um donativo anual de dez contos de réis para que com eles sejam pagas as despesas com a fundação das Régias Escolas de Cirurgia de Lisboa e do Porto. 1825 – Em Fevereiro entrega os Planos para funcionamento das Régias Escolas e a 26 de Maio envia ao Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino o orçamento para funcionamento das Escolas, com a Relação dos ordenados dos Lentes e mais Empregados das mesmas. A 27 de Setembro efectua-se a Abertura Solene da Régia Escola de Cirurgia de Lisboa, com a presença do Rei e das Infantas, tendo este Ilustre Senhor concedido duas lotarias ao Hospital e manda que pelas Obras Públicas se construa uma nova enfermaria para convalescentes. 1826 – Regressa ao Brasil. Em 11 de Setembro um decreto de D. Pedro confirma-lhe todas as mercês que lhe tinham sido concedidas em Portugal. 1827 – Regressa a Portugal em Abril, como Encarregado de Negócios do Brasil. A 5 de Maio suicida-se em Lisboa, depois de ter sido acusado de envenenar o Rei.

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AS ORIGENS

Nasce em Rio de Janeiro, Brasil, filho de Caetano Ferreira de Aguiar




O ESTUDANTE

Os dados dos vários biógrafos divergem em vários pontos. Por impossibilidade de esclarecer a verdade, devem considerar-se as várias opções.
Segundo uns, cursa em Coimbra, Ciências Naturais e em Leyden (Holanda), a Medicina. Obteve depois a habilitação para exercer clínica em Portugal.
Segundo outros, estuda latim, lógica e retórica no Rio de Janeiro e vem para Coimbra em cuja Universidade se matriculou em filosofia e medicina, tomando o grau de bacharel em filosofia; frequenta apenas os dois primeiros anos de medicina, segundo os seus biógrafos. As pesquisas feitas no Arquivo da Universidade de Coimbra não revelam nenhum registo do seu nome, nem de outro parecido. A não ter estudado Medicina em Coimbra, pode pensar-se que apenas estudou no Colégio das Artes os preparatórios, seguindo a sua aprendizagem na clínica civil ou hospitalar dalgum cirurgião daquela cidade. Em 1792 segue o Curso de Desault, no Hôtel- Dieu, em Paris.
É provável que juntando à pratica que tem, a instrução teórica que lhe é sugerida por Léveillé, adquire bastante ilustração e que inscrevendo-se na Universidade de Leide a 23 de Janeiro de 1797, pudesse facilmente estar habilitado, já a 17 de Fevereiro do mesmo ano, para receber o grau de doutor, defendendo a tese cujo rosto diz o seguinte: «Dissertatio Medica-Chirurgica Inauguralis de Vulneribus per Corpora Vi Pulveris Pyrii Jacta Fatis amputationem exigentibus, de salutari effectu hujus operationis, si sine mora fuerit facta. Quam, annuente summo numine, ex auctoritate Rectoris Magnifici Sebaldi Fulconis Joh. Ravii, nec nom Amplissimi Senatus Academici Consensu, Nobilissimae Facultatis Medicae Decreto, Pró Gradu Doctoratus, summisque in Medicina Honoribus & Privilegiis in Academia Lugduno – Batava, rite ac legitime consequendis, eruditorium examini submittit THEOD. FERREIRA D’AGUIAR Brasiliensis Ad diem XVII. Februarii H. L. Q. S. Lucduni Batavorum Apud Fratres Murray,




O MILITAR DO EXÉRCITO FRANCÊS

Vai para França e presta serviço no exército, no serviço de saúde. A organização dos exércitos que a república febrilmente reúne, para fazer face aos seus múltiplos inimigos, e nos quais havia muitos serviços a improvisar, permite que se recebam rapazes de quinze ou pouco mais anos com elementar instrução e até sem nenhuns conhecimentos cirúrgicos, como alunos ou cirurgiões de terceira classe, qualquer coisa como os ajudantes de cirurgia do exercito português. Para este fim abrem-se perante a Escola de Saúde de Paris concursos para a admissão dos chamados Eleves de la Patrie e é nesta qualidade que Ferreira de Aguiar pode ter sido recebido.
Serve no exército francês que invadiu a Flandres. Um jornal contemporâneo diz dele:
«Foi empregado na repartição de saúde do exército de Pechegru na Holanda e contraíu grande amisade com mr. Léveillé. Pichegru e não Pechegru, como escreve O Português, foi o general francês que comandou o exército do Reno e Moselle, que invadiu a Holanda. Mr. Léveillé, era João Baptista Francisco Léveillé, que nasceu em 1769 (no mesmo ano de Ferreira de Aguiar) em Ourover; faz os seus estudos de medicina em Paris, e é requisitado em 1792 para ir fazer serviço no exército do Reno, voltando no ano seguinte para seguir o curso de Desault; protegido por Léveillé, fica no Hôtel-Dieu até 1799, quando obtém a sua carta. Vai servir no exército de Itália, onde se liga com Scarpa e depois volta a França onde se dedica e publica muitas obras de medicina e cirurgia.
Parece portanto que foi em 1792 ou 1793 que Ferreira de Aguiar serve debaixo das ordens de Léveillé, embora depois da retirada deste pudesse ter ficado no exército francês.




O PROFESSOR

A 2 de Abril de 1808 foi encarregado de ensinar Anatomia no Hospital Militar do Rio de Janeiro; a 12 de Outubro de 1809 foi-lhe elevado o ordenado anual para 400$000, com a obrigação de ensinar também Ligaduras, Operações de Cirurgia e Partos.

Regeu as suas cadeiras até 1813, e organizou o Hospital Militar para cuja direcção fora nomeado em 1812. Serviu também como Inspector do Serviço de Vacina.




O MÉDICO DO REI

Um Aviso de 28 de Fevereiro de 1805, diz «pelo qual Fui Servido Determinar que Theodoro Ferreira de Aguiar entrasse na efectividade de Cirurgião Mor das Minhas Reaes Armadas, o que fica sem efeito».
Em 14 de Outubro de 1805 do Conde da Barca para o Visconde da Anadia, Secretário de Estado da Marinha – «dispensa Theodoro Ferreira de Aguiar do exercício de Cirurgião Mor da Armada, enquanto durar a inspecção para que foi nomeado».

Com a sua modéstia e isenção, apesar de ter sido o autor deste importantíssimo projecto, o seu nome não aparece citado, mas o paço significa-lhe o seu agrado, nomeando-o cirurgião honorário da Real Câmara, em 15 de Setembro de 1805.
Acompanha a família real para o Rio de Janeiro e a 2 de Abril de 1808 é encarregado de ensinar Anatomia no Hospital Militar daquela cidade; a 12 de Outubro de 1809 é-lhe elevado o ordenado anual para 400$000, impondo-se-lhe a obrigação de ensinar Ligaduras, Operações de Cirurgia e Partos.
A 2 de Dezembro do mesmo ano, é nomeado cirurgião efectivo da Real Câmara. É então vítima de intrigas palacianas, sendo afastado do serviço real, e apenas em 1811, se faz justiça e é novamente chamado ao exercício do paço e é nomeado Cirurgião Mor dos Exércitos e Armadas (agregado).




O CASO DOS CONTRATADORES DO TABACO

O Intendente Geral da Polícia manda prender um dos mais importantes contratadores do tabaco que é encarcerado no Limoeiro e «incorreu na cólera do soberano». Apesar de ser pessoa influente e ter amigos igualmente poderosos ninguém se atreve a interceder junto do Rei e assim continua preso muitos dias. Alguém lembra a enorme influência de Teodoro Ferreira de Aguiar junto do Rei e pedem a sua ajuda. Este acede a interceder e, de imediato, o «delinquente» é libertado e, além disso, é dado o monopólio do tabaco por mais três anos, aos mesmos contratadores.
Naturalmente agradecidos, os contratadores decidem oferecer uma elevada quantia em dinheiro a este influente amigo de D. João VI. Teodoro Ferreira de Aguiar rejeita a oferta e sugere que ela seja oferecida ao Rei para que, com ela, se possam criar duas Escolas de Cirurgia. Mais do que isso, solicita que eles continuem a dar esse dinheiro todos os anos, enquanto mantiverem o monopólio do tabaco, para manutenção das duas Escolas, comprometendo-se ele a auxiliá-los com a sua protecção.
A oferta de dez contos foi aceite pelo Rei. Faz criar as ditas Régias Escolas com esse dinheiro, conseguindo não só nada gastar com a sua criação, como poupa anualmente a importância de 1.260:000 rs, correspondentes à despesa habitual com as aulas, dadas anteriormente, no Hospital Real de S. José.




A CRIAÇÃO DAS RÉGIAS ESCOLAS DE CIRURGIA

Particular amigo do Rei, Cirurgião do Paço e Valido de D. João VI, conseguiu interceder junto dele a favor de um contratador de tabaco que estava preso e que uma vez libertado e reconhecido, pretende oferecer a Ferreira de Aguiar uma verba de dez contos de réis. Recusa a oferta, e faz canalizá-la para o Rei com a finalidade de serem instaladas as Régias Escolas de Cirurgia de Lisboa e do Porto. Os contratadores de tabaco passam a dar uma verba anual de dez contos de réis, como subsídio para o funcionamento das Escolas.
Segundo nos diz Silva Carvalho na sua obra «A Régia Escola de Cirurgia de Lisboa» – «Logo que isto se conseguiu Teodoro Ferreira de Aguiar pôz mão à obra e tratou não só de traçar o plano das novas escolas, mas de elaborar o orçamento da despeza e receita destas. O plano foi apresentado ao ministro antes de 26 de Maio de 1825 e o orçamento foi enviado nesta data. É o que se vê pela leitura do seguinte ofício:
«Illmo e Ex.mo Sr. Ponho na presença de V. Ex.ª a inclusa Relação dos Ordenados dos Lentes e mais empregados na Escola Regia de Cirurgia, cujo plano já tive a honra de apresentar a V. Ex.ª, assim como do que cada um dos alumnos deve pagar, indicando a destribuição para emolumentos de alguns dos mesmos empregados, e para prémios dos que mais se distinguirem e se mostrarem estudantes beneméritos.
O que se deve dispender com a Escola Regia, alem de não gravar as Rendas do Estado, de mais a mais alivia a despesa que se faz actualmente com as Cadeiras que existem, pois são pagas pelas folhas do Conselho da Fazenda e da Alfandega Grande, por onde se está dando quatrocentos e oitenta mil réis ao Lente de Anatomia, outro tanto ao Lente de Operações e trezentos mil, réis ao Lente da Arte Obstetricia. A sua Magestade fiz sciente que ha cinco mezes os actuaes interessados no Contracto do Tabaco fizeram o oferecimento gratuito de um donativo anual de dez contos de réis para com eles serem pagas as despezas da dita Escola e das Cadeiras que de novo fossem creadas, assim como das que para o futuro se estabelecessem no Hospital da Misericordia da Cidade do Porto, revertendo deste modo para o Erario Regio a quantia que actualmente dispende neste ramo de Instrução Publica. Lisboa em 26 de maio de 1825». Il.mo e Ex.mo Sr. Ministro e Secretario de Estado dos Negocios do Reino. a) Teodoro Ferreira de Aguiar».
Foram propostos vários planos, mas o plano de Ferreira de Aguiar tinha as seguintes vantagens:
1.º – O curso era mais curto, porque exigia menos um ano, o que importava muito, além de outras razões, por não assustar os concorrentes e desviá-los de segui-lo, como acontece por exemplo em Madrid, onde no primeiro ano se matricularam apenas seis alunos.
2.º – A distribuição das matérias era muito mais judiciosa, pela união da fisiologia à anatomia, da matéria médica à farmácia, etc.
3.º – Por não incluir a física e a química, que se recomendava fôssem estudadas previamente no curso especial que se fazia na Casa da Moeda, creado em 12 de novembro de 1801 e ao tempo regido por Luiz da Silva Mousinho de Albuquerque,
4.º – Por incluir a Obstetricia.
5.º – Por obrigar à repetição da Anatomia, que era dada em dois anos.
Além disso a instrução dada durante todo o curso dentro do Hospital, a frequência de tôdas as enfermarias, a observação no Banco dos casos urgentes, a intensa prática de dissecções, estabeleciam outras tantas razões de superioridade a favor do ensino lisbonense.
A única crítica que hoje pode fazer-se com fundamento a esta organização, é a que resulta da multiplicidade das dependências que por ele ficaram existindo, quanto à direcção da Escola, que por um lado depende do Enfermeiro Mor do Hospital, por outro do Cirurgião Mor do Reino, nomeado seu director.
A Escola não fica autorizada a conferir diplomas de habilitação, que continuavam a ser assinados pelo Cirurgião Mor do Reino.
A razão assenta em que Ferreira de Aguiar não quer anular o cargo de Cirurgião Mor, que está sendo exercido por Jacinto José Vieira; se lhe é tirada a sua função de conferir os diplomas e, ao mesmo tempo, se lhe suprime a faculdade de examinar cirurgiões, à moda antiga, a sua importância e os seus rendimentos ficam anulados e criar-se um conflito grave, como o que no Rio de Janeiro se dava entre Manuel Luís Alvares de Carvalho, o criador da Escola de Cirurgia daquele Estado e José Correia Picanço que, ficando desapossado das suas funções e réditos, não se contentava com a compensação que aquele lhe destinara, oferecendo-lhe ser chanceler da nova escola.
O resultado é a oposição dos cirurgiões, não funcionarem as principais aulas, chegar a não haver examinadores e tudo correr muito mal, nos primeiros anos. Ferreira de Aguiar, espera que em pouco tempo, o cargo de Cirurgião Mor se extinga e então, automaticamente, a Escola fica autónoma e soberana.
Por sua intervenção, a 27 de Setembro (dia de S. Cosme e de S. Damião, patronos da Medicina e da Cirurgia), quando leva à abertura solene da Régia Escola de Lisboa, o Rei e as Infantas, concede este duas lotarias a favor do Hospital e ordena que, pelas Obras Públicas, se faça uma nova enfermaria de convalescença.




O RECONHECIMENTO

Durante a estadia em Portugal, continua sempre a servir no Paço e a exercer oficiosa, mas efectivamente, as funções de direcção suprema das Escolas de Cirurgia.
Volta para a sua pátria pouco depois e no Aviso de 11 de Setembro de 1826 se diz que um decreto de D. Pedro lhe confirmava todas as mercês que lhe tinham sido concedidas em Portugal.
Foi então agraciado com a Comenda de Nossa Senhora da Conceição e depois com o grau de Cavaleiro da Torre e Espada.
Quando regressa a Portugal vem como Encarregado de Negócios do Brasil, o que prova a alta consideração de que goza.
Ainda a 11 de Abril de 1827, quem representa o Brasil em Lisboa é o Cônsul Clemente Alvares Oliveira Mendes e Almeida.
Mas em 5 de Maio, vê-se que um ofício relativo a uns estudantes brasileiros que frequentam a Universidade de Coimbra é dirigido a Teodoro Ferreira de Aguiar, Encarregado de Negócios.




O SUICÍDIO

A sua amizade com o Rei, que é do domínio público, não evita que seja acusado, por alguns, de o ter envenenado.
Entre as várias coisas que correm, que podemos chamar de boatos ou mexericos, diz-se que tinha partido apressadamente para o Rio de Janeiro, com o especial encargo de obter a sua abdicação a favor da Infanta D. Isabel Maria, que deseja a coroa e sempre manteve atitudes de soberana.
Da mesma forma apressada regressa, e suicida-se em seguida. Esta morte, bem como a do Barão de Alvaiázere (também médico) e a de um marinheiro, aparecem à opinião pública como relacionadas entre si e com a morte por envenenamento de D. João VI.
Muitos asseveram que o rei é envenenado por aplicação de veneno nas feridas que tinha nas pernas e atribuem esse acto ao Dr. Teodoro Ferreira de Aguiar que, a breve trecho, se suicida no Paço da Bemposta, bebendo um copo de água com uns pós brancos. Este boato circula especialmente no Paço.

Na ocasião da sua morte está interinamente Encarregado dos Negócios do Brasil.

Os jornais da época escrevem: «Na tarde do dia 5 de Maio de 1827, faleceu o Adido á Embaixada Brasileira, Theodoro Ferreira de Aguiar.

Morte triste para um grande Homem.