Escrever é lavrar, penso comigo...

Carlos De Oliveira

Escritor:
1921 - 1981



Quando tudo aconteceu...

1921: Carlos Alberto Serra de Oliveira, filho de Américo Simões de Oliveira, e de Aurora Marques Serra de Oliveira, portugueses emigrados no Brasil, nasce em Belém do Pará, no dia 10 de Agosto. 1923: Regressa a Portugal com a família. Fixam-se na zona de Cantanhede, primeiro na Camarneira, em casa do avô de Carlos de Oliveira, e depois em Febres. 1931: Frequenta o ensino liceal no colégio de Cantanhede. 1933: Vai estudar para Coimbra, frequentar o 3º ano do liceu José Falcão. 1937: Colabora no jornal liceal Alvorada, usando por vezes o pseudónimo Carlos Ganda. O jornal A Ideia Livre, da Anadia, na sua Página de Gente Moça, publica o poema Grito. Organiza, com Fernando Namora e Artur Varela, Cabeças de Barro, uma colectânea para a qual contribui com três contos e um poema. 1940: Entra para a Faculdade de Letras de Coimbra, onde convive com Joaquim Namorado, João José Cochofel, Rui Feijó, Fernando Namora e outros, que formam o grupo mais tarde conhecido por Geração de 40. 1942: Publica Turismo, o seu primeiro livro de poemas, incluído no Novo Cancioneiro. 1943: Sai Casa na Duna, primeiro romance, publicado na colecção Novos Prosadores. 1944: Publica o romance Alcateia, na mesma colecção, que vem a ser apreendido. 1945: Adesão ao MUD – Movimento de Unidade Democrática. Começa a trabalhar na redacção da revista Vértice. Publica o livro de poemas, Mãe Pobre. Colabora na Seara Nova. 1946: Em conjunto com outros poetas, colabora em Marchas, Danças e Canções, um livro de Fernando Lopes Graça, então residente em Coimbra. 1947: Licencia-se em Ciências Histórico Filosóficas, com uma tese intitulada Contribuição para uma Estética Realista. Palestra no Ateneu de Coimbra sobre Raul Brandão, publicada na Vértice, e mais tarde no Aprendiz de Feiticeiro, sob o título A Pergunta. 1948: Com Joaquim Namorado organiza a colecção de poesia O Galo. Nessa colecção publica o livro de poemas Colheita Perdida. Publica o romance Pequenos Burgueses. Participa com um poema na homenagem a Gomes Leal. Na Perspectiva da Literatura Portuguesa do século XIX, dirigida por João Gaspar Simões, publica um texto sobre Abel Botelho, mais tarde incluído em O Aprendiz de Feiticeiro. Colabora na Seara Nova e na Vértice. Começa a viver em Lisboa. Tenta o ensino, no liceu Passos Manuel, mas sem sucesso. 1949: Casa com Maria ngela Ferreira de Jesus Oliveira. 1950: O casal fixa-se definitivamente em Lisboa. Publica o livro de poemas Terra da Harmonia. 1951: Trabalha nos arquivos do Jornal do Comércio. 1953: Sai Uma Abelha na Chuva. Começa a trabalhar na revista Eva, onde fica até 1972. Colabora também com outras editoras, como Iniciativas Editoriais. 1956: Nas Iniciativas Editoriais, com João José Cochofel, prepara o apêndice biobibliográfico da 1ª edição da Obra Completa de Afonso Duarte. 1957: Organiza, em conjunto, com José Gomes Ferreira, a antologia Contos Tradicionais Portugueses, em dois volumes. Colabora na Revista Musical e de Todas as Artes. 1960: Publicação do livro de poemas Cantata. Colabora com Fernando Lopes Graça no livro de Músicas Canções Heróicas, Dramáticas, Bucólicas e Outras. Organiza e anota com João José Cochofel o livro póstumo de Afonso Duarte Lápides e outros poemas. 1962: Publica a colectânea Poesias, na editora Portugália. 1964: Sai a 3ª edição de Casa na Duna, em nova versão, com prefácio de Mário Dionísio. 1968: Publica os livros de poemas Sobre o Lado Esquerdo e Micropaisagem. 1970: Publica 3ª edição de Pequenos Burgueses, amplamente refundida. 1971: Publica O Aprendiz de Feiticeiro, colectânea de crónicas e de ensaios, e Entre Duas Memórias, livro de poemas. Estreia o filme Uma Abelha na Chuva, de Fernando Lopes. 1972: O prémio de literatura da Casa da Imprensa é atribuído a Entre Duas Memórias. 1976: Publica Trabalho Poético, em que reúne os livros de poemas anteriores, revistos e inéditos. 1977: Publica Pastoral, seu último livro de poemas. 1978: Publica o romance Finisterra. 1979: É atribuído o prémio Cidade de Lisboa a Finisterra. 1981: Morre na sua casa em Lisboa no dia 1 de Julho.

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O HOMEM E A VIDA

Carlos de Oliveira tem dois anos de idade quando a família regressa do Brasil, onde estava emigrada. Fixam-se no concelho de Cantanhede, primeiro na Camarneira, na casa do avô, depois em Febres. Aqui o seu pai exerce medicina, chegando a ser nomeado médico municipal. Carlos de Oliveira frequenta a escola em Febres e depois vai para o liceu, primeiro em Cantanhede, e depois em Coimbra. Já formado, muda-se para Lisboa. Contudo permanece para sempre ligado à Gândara, que aparece e reaparece em toda a sua obra. E a partir dela observa o resto do mundo.
Joaquim Seabra-Dinis, em notas enviadas à revista Vértice, destinadas ao volume de homenagem a Carlos de Oliveira publicado em Dezembro de 1982, com o número 450/1, refere uma entrevista que o escritor deu a O Diário, em que diz: “Tinha dois ideais: um era escrever e outro era próprio dessas idades – juntar-me a eles (os colegas amigos) e combater por uma causa justa. Foi assim que me integrei no grupo, li os mesmos livros que eles (éramos uma só voz) …”

É que os amigos são outra grande influência na vida e na obra de Carlos de Oliveira. Entre os seus amigos dos tempos de liceu, assinalam-se Fernando Namora, Egídio Namorado (irmão do poeta Joaquim Namorado) e Joaquim Barradas de Carvalho. Com Fernando Namora, dois anos mais velho, e com Artur Varela, publica o livro Cabeças de Barro, aos dezasseis anos, em que inclui três contos e um poema. Em Coimbra conhece Afonso Duarte (1884 – 1958), poeta e professor, sem dúvida uma influência marcante, na sua pessoa e na sua obra. Carlos de Oliveira recorda-o em A Dádiva Suprema e O Iceberg, dois textos incluídos no Aprendiz de Feiticeiro. No primeiro descreve alguns episódios da vida do amigo, e o dia do seu funeral. No segundo texto, volta a abordar a vida de Afonso Duarte, a sua obra e transmite-nos um conselho do mestre:


A palavra que digas,
A carta que escrevas,
Que sejam obra de arte.

Em 1956, na editora Iniciativas Editoriais, em conjunto com João José Cochofel, organiza o apêndice biobliográfico à 1ª edição da Obra Completa de Afonso Duarte. Em 1960, também nas Iniciativas Editoriais, é publicado o volume póstumo Lápides e outros poemas, também organizado por Carlos de Oliveira e João José Cochofel.
Mas o melhor testemunho da maneira de ser de Carlos de Oliveira para com os amigos é dado por Manuel da Fonseca, no prefácio à 9ª edição de O Fogo e as Cinzas, depois reproduzido nas edições seguintes:

“Breves meses vividos em Santiago, ao voltar a Lisboa, estávamos nos primeiros dias do já distante Outono de 53, aguardava-me esta surpresa: um livro de contos acabado e pronto a entrar no prelo.

O livro é este, este O Fogo e as Cinzas. Devo-o a Carlos de Oliveira.

No seu modo peculiar de fugir a agradecimentos, ao pôr-me diante do facto, Carlos de Oliveira logo o minimizou, descrevendo-o, seco e breve, como originado por um ocasional acontecimento. Limitara-se a deixar correr.”


“Aí estavam, pois, os contos – eis o seu gesto, delicado, sóbrio. E, com o leve, vago sorriso de quem compreende e desculpa desvios de entendimento, insistia: editor não faltava, o José Cardoso Pires abriria um espaço na colecção das “3 Abelhas”, que mais era preciso? Lesse-os, ordenasse-os, arranjasse-lhes um título.”

Estes dois pequenos extractos de um magnífico prefácio, saído da mão de um grande escritor, dão um vislumbre claro sobre a pessoa de Carlos de Oliveira, e o seu modo de ser e de se relacionar com as pessoas, nomeadamente com os seus amigos.




A PAISAGEM E O ESCRITOR

Carlos de Oliveira desenvolve desde cedo sentimentos de solidariedade para com as pessoas oprimidas. Em Micropaisagem, texto escrito em 1969, o ano seguinte ao da publicação do livro de poemas com o mesmo nome, e incluído no Aprendiz de Feiticeiro, diz a dada altura:

“Meu pai era médico de aldeia, uma aldeia pobríssima: Nossa Senhora das Febres. Lagoas, pantanosas, desolação, calcário, areia. Cresci cercado pela grande pobreza dos camponeses, por uma mortalidade infantil enorme, uma emigração espantosa. Natural portanto que tudo isso me tenha tocado (melhor tatuado). O lado social e o outro, porque há outro também, das minhas narrativas ou poemas publicados (quatro romances juvenis e alguns livros de poesia), nasceu desse ambiente quase lunar habitado por homens e visto, aqui para nós, com pouca distanciação. A matéria de alguns poemas da “Micropaisagem”, talvez mais decantada, mais indirecta, é a mesma. O que não quer dizer evidentemente que tenha desaproveitado experiências diferentes (ou parecidas) que a vida e a cultura me proporcionaram depois.”

A Gândara é a região que vai da Serra da Boa Viagem e dos campos de Coimbra até à Bairrada e à Ria de Aveiro, com as dunas do litoral a oeste. É uma região de transição entre o litoral e o interior, formada sobretudo por terrenos arenosos, como resultado do recuo do oceano Atlântico.

Gândara, segundo José Pedro Machado, é um termo com origem pré-latina, que significa charneca, terra areosa, terreno inculto, e também região, terra chernequenha. É um topónimo que se encontra noutras regiões de Portugal, para além da Beira Litoral, e na Galiza. Esta, no Centro de Portugal, estende-se pelos concelhos de Cantanhede, Mira, Vagos, Figueira da Foz e Montemor-o-Velho. A região em que Carlos de Oliveira cresceu e que serve de paisagem aos seus romances conserva uma identidade própria, mesmo ao nível da fauna e da flora. São grandes as modificações que nela foram introduzidas pela acção do homem, que, com dificuldade, a transformou de uma zona árida numa zona de economia agro-pecuária, tendo passado de uma densidade populacional muito baixa, ainda no século XVII, para, em cerca de 200 anos, atingir uma densidade que terá chegado a rondar os 100 habitantes/Km2, segundo Fernanda Maria da Silva Delgado Cravidão (ver http://hdl.handle.net/10316/630), o que estará na raiz de grandes desequilíbrios sociais e económicos.

No ano em que aparece a 1ª edição de Casa na Duna (1943), saem também Fanga, quarto romance de Alves Redol, Cerromaior de Manuel da Fonseca e Fogo na Noite Escura, de Fernando Namora. Sai também Volfrâmio, de Aquilino Ribeiro. Era sem dúvida um movimento literário já em pleno, o neo-realismo. Estes escritores não se prendem na descrição das ocupações usos e costumes de cada uma das regiões, não são escritores regionalistas. Assentam o enredo dos seus romances nos mecanismos sociais e económicos que controlam a vida das pessoas, e as condicionam no seu dia a dia, e ao longo da vida. Utilizam imagens e símbolos com significados e implicações que transcendem as histórias que contam, dando-lhes uma dimensão universal. Carlos de Oliveira, em Casa na Duna, conta a decadência dos Paulos, proprietários agrícolas, que não conseguem acompanhar o processo de crescimento capitalista, que implica uma racionalização da produção agrícola, com investimentos na mecanização do processo produtivo. Descreve as consequências que daí advêm, não só para a família proprietária, mas também para os que dela dependem.

Vital Moreira, em Paisagem Povoada: A Gândara na Obra de Carlos de Oliveira, trabalho inserido no volume da Vértice nº 450/1, de 1982, de homenagem ao escritor, e mais tarde objecto de publicação separada, analisa detalhadamente como o escritor inseriu a Gândara na sua obra. Refere que boa parte dos topónimos que aparecem nos romances são nomes reais, embora na ficção ocupem situações geográficas diferentes das verdadeiras. E menciona o caso do nome literário Corrocovo, que designa a povoação onde decorre a acção de Casa na Duna, e que aparece também em Alcateia, que Carlos de Oliveira terá criado a partir de Corgo Covo, nome de um lugar do concelho de Cantanhede. Corgos, a vila que aparece nos romances, descrita de modo a aparecer como a versão literária de Cantanhede, é na realidade um local perto de Febres, a aldeia onde passou a infância.

Alexandre Pinheiro Torres, em Uma Versão Desconhecida de Turismo, texto também incluído no Volume 450/1, da Vértice, ao analisar as alterações que Carlos de Oliveira faz à versão inicial do livro, a do Novo Cancioneiro, de 1942, para incluir na versão que foi publicada em 1976, em Trabalho Poético, assinala que no poema I da segunda parte, intitulada Gândara, se limitou a retirar um ponto de exclamação e um travessão. Ficou assim:

Gândara sem uma ruga de vento
Sol e marasmo.
Silêncio feito de troncos
e de pasmo.

Campos, pinheiros e campos
quietos. Tanto,
o sol parado
encheu-me os olhos de espanto.

É significativo que tenha introduzido tão poucas alterações, pois, como diz Rosa Maria Martelo, em A Construção do Mundo na Poesia de Carlos de Oliveira, para ele “… Reeditar significa quase sempre reescrever, e reescrever significa inscrever no texto um outro momento de escrita, outro entendimento do mundo, outras opções estético-literárias que não as iniciais. Por outro lado, reescrever é também apagar, subtrair aos olhos do leitor o que o autor deixou de considerar como seu…”




CARLOS DE OLIVEIRA, O HOMEM E O ESCRITOR

Com segurança, pode-se dizer que Carlos de Oliveira dedicou a vida à escrita. Em Coimbra mantém um elevado grau de participação na vida cívica e social em geral. Mas quando vem viver definitivamente para Lisboa forma o seu mundo com a família, com os amigos e com o seu trabalho de escrever. O seu grau de participação cívica é sempre num grau elevado, os processos que estão nos arquivos da Torre do Tombo, provenientes da PIDE/DGS, atestam-no bem. Algumas pessoas, entretanto, dão nota de um certo retraimento no que respeita a dar conhecer aspectos mais pessoais, ou a fazer uma vida mais pública. Nota-se, por exemplo, no que respeita à participação na vida da Sociedade Portuguesa de Escritores, que Carlos de Oliveira nela intervém activamente, mas nunca quis assumir qualquer cargo.

A participação na vida política começa indubitavelmente ainda na juventude. É já bastante intensa quando se dá a apreensão do seu segundo romance, Alcateia, publicado em 1944, sem passar pela censura prévia. As operações subsequentes, desencadeadas pelas autoridades policiais, decorrem em 1945, ano em Carlos de Oliveira adere ao recém-criado MUD – Movimento de Unidade Democrática.

A sua vida profissional, como escritor, como colaborador de vários jornais e revistas, com particular destaque para a Vértice, como editor, tradutor, funcionário da revista Eva, tem sem dúvida fases mais intensas, outras menos. Mas não há dúvida que, da parte de Carlos de Oliveira há, pelo menos durante uma parte da sua vida, uma relutância, sem dúvida que apenas relativa, à exposição pública. Dá pouquíssimas entrevistas, e evita sempre falar muito sobre si próprio.

A professora Ida Maria Santos Ferreira Alves, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em Carlos de Oliveira e Nuno Júdice. Poetas: Personagens da Linguagem, em determinado passo (cap. Inventor de Jogos, págs. 121-185), escreve:

Carlos de Oliveira, por opção pessoal, sempre ocupou um espaço social discreto e silencioso, evitando participar de quaisquer encontros ou atividades institucionais, relacionadas com o jogo do poder. Manteve-se fiel ao seu projecto de vida e de arte, evitando que sua história quotidiana se tornasse mais importante que sua obra, por isso raras foram as entrevistas e muito pouco nelas revela o homem do dia a dia que não participava de “tertúlias literárias oficiais” para divulgar imagem e marcar presença no cenário público da Literatura Portuguesa.

Outros testemunhos se poderão citar neste sentido. Mas a ideia que transmite a Professora Ida Maria Santos Ferreira Alves, correcta na sua formulação, não é, nem pode ser, completa. Joaquim Seabra Dinis, no texto já acima referido no Capítulo O Homem e a Vida, publicado na Vértice, no Volume nº 450/1, de 1982, de modo cuidadoso e discreto, dá a entender que a saúde de Carlos de Oliveira não seria a melhor. O escritor não as menciona nos seus contactos por princípio seu. Mas elas terão tido com certeza influência nas suas atitudes. E no seu trabalho. Carlos de Oliveira morreu com 59 anos, quando dele ainda havia muito a esperar.




BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Revista Vértice – nº 450/1- Setembro/Outubro/Novembro/Dezembro 1982. Número especial de homenagem a Carlos de Oliveira.
Ida Maria Santos Ferreira Alves — Carlos de Oliveira e Nuno Júdice poetas [texto policopiado]: personagens da linguagem. - Rio de Janeiro: UFRJ. Faculdade de Letras,
2000. 335 p. Tese de doutoramento.
Manuel Gusmão – A Poesia de Carlos de Oliveira – Seara Nova, Colecção de Textos Literários – 1981.
Benjamin Abdala Júnior – A Escrita Neo-Realista - São Paulo – Editora Ática, 1981.
Vital Moreira - Paisagem Povoada – A Gândara na Obra de Carlos de Oliveira – 2ª edição – 1994 – Câmara Municipal de Cantanhede.
Rosa Maria Martelo Fernandes Pereira – A Construção do Mundo na Poesia de Carlos de Oliveira – Porto – 1996. Dissertação para doutoramento em Letras, especialidade de Literatura Portuguesa, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Osvaldo Manuel Silvestre – Slow Motion – Carlos de Oliveira e a pós-modernidade – Angelus Novus Editora e Osvaldo Manuel Silvestre – 1ª edição – Janeiro de 1995.
Carlos Reis – O Tempo em Dois Romances de Carlos de Oliveira – Universidade de Coimbra – separata da BIBLOS – LI- Coimbra – 1975.
Processos da Torre do Tombo n.os :
10.620 – CI (2)
SR 517/44
3715 – E - GT

AGRADECIMENTOS

- À Biblioteca Nacional, um serviço público de excelência.
- À Torre do Tombo, um orgulho para todos os portugueses.
- À equipa da biblioteca do Museu do Neo-Realismo, de capacidade técnica e gentileza fora de série.