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FERNANDO NAMORA
Médico, escritor, artista, argumentista, humanista, universal: 1919-1989

Carlos Vieira Reis


Fernando Namora ACREDITO NO CADA VEZ MAIS RARO COMPANHEIRISMO, NA DEDICAÇÃO A PESSOAS OU NA FIDELIDADE A OBJECTIVOS.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

QUANDO TUDO ACONTECEU...

1919: Fernando Gonçalves Namora nasce em Condeixa a 15 de Abril, filho de António Mendes Namora e de Albertina Augusta Gonçalves Namora. 1929: Concluída a instrução primária na escola local, inicia os estudos liceais no Colégio Camões, em Coimbra. 1932: Transita para o Liceu Camões, em Lisboa, onde permanece durante dois anos, sendo aí condiscípulo de Jorge de Sena. Redige e ilustra um jornal do Liceu, manuscrito. Acentua-se a sua vocação para as artes plásticas, manifestada desde a infância. 1935: De novo estudante em Coimbra, agora no Liceu José Falcão, surge como director do Jornal académico Alvorada. Durante esse período escreve o seu primeiro livro, Almas sem Rumo, colectânea de novelas, que fica inédito. 1936: Matricula-se nos preparatórios médicos da Faculdade de Medicina de Coimbra. 1937: Em co-autoria com Carlos de Oliveira e Artur Varela, publica o livro de contos Cabeças de Barro. No mesmo ano é anunciada a próxima publicação da novela Pecado Venial, que não chega a vir a lume. 1938: É publicado o seu primeiro livro de poemas, Relevos. Com outros companheiros de geração, intervém na organização dos Cadernos da Juventude, cujo primeiro e único número é apreendido e destruído antes de ser posto à venda. No mesmo ano publica o romance As Sete Partidas do Mundo, que obteve o Prémio Almeida Garrett. É-lhe atribuído o Prémio Mestre António Augusto Gonçalves, de artes plásticas. 1939: Surge como co-director da revista literária Altitude, conjuntamente com João José Cochofel e Coriolano Ferreira. 1940: Inicia a redacção do romance Arado, que não chega a concluir. Casa com Arminda Bragança de Miranda, também estudante, que morre de parto nove meses depois. Nasce a sua primeira filha, Arminda Maria. É publicado o livro de poemas Mar de Sargaços. 1941: Juntamente com outros companheiros, concretiza a ideia do «Novo Cancioneiro», que assinala o advento do neo-realismo, demarcando uma viragem na literatura portuguesa. Essa colecção poética principia com o seu livro Terra. 1942 Conclui a licenciatura em Medicina e abre consultório em Condeixa. Publica o romance Fogo na Noite Escura na colecção «Novos Prosadores». 1943: Passa a exercer clínica em Tinalhas, localidade das proximidades de Castelo Branco, em pleno surto do volfrâmio, onde escreverá em oito dias, a novela Casa da Malta. 1944: Realiza a sua única exposição individual de pintura, em Castelo Branco. Casa com Isaura de Campos Mendonça, estudante. Em Outubro do mesmo ano, muda-se para Monsanto da Beira, como médico municipal substituto. A paisagem física e humana dessa aldeia iria vincar profundamente a sua obra. 1945: Nasce em Monsanto a sua segunda filha, Margarida Maria. Publica a novela Casa da Malta. 1946: Em Outubro desse ano vai ocupar o cargo de médico municipal de Pavia, no Alentejo. Publica o romance Minas de San Francisco, que fora escrito em Monsanto. 1949: É publicada a primeira série de Retalhos da Vida de Um Médico, que obterá o Prémio Vértice, disputado entre os dez melhores livros dos últimos dez anos, segundo uma selecção feita por essa revista de cultura. Participa, em Paris, numa exposição internacional de artistas plásticos médicos. 1950: Sai o romance A Noite e a Madrugada. Em Dezembro desse ano, abandona Pavia e é admitido como assistente do Instituto Português de Oncologia, em Lisboa. 1951: Publica no Boletim do Instituto Português de Oncologia os primeiros capítulos de um livro inacabado: Memórias Imaginárias de Um Médico. Passa a colaborar assiduamente, sobretudo como editorialista, no semanário Jornal do Médico. 1952: Dá a lume a primeira versão de Deuses e Demónios da Medicina, obra que fora prevista para a colecção «Vidas Célebres». É-lhe atribuído o Prémio Ricardo Malheiros pela nova versão do romance Minas de San Francisco. Realiza a sua primeira viagem ao estrangeiro, visitando a França, Bélgica e Holanda. 1954: Sai a primeira edição estrangeira dos seus livros: Escenas de la vida de un médico, com prefácio de Gregório Marañon, que repercutiu rapidamente noutros países. É publicado o romance O Trigo e o Joio. 1955: Eleito membro da Academia das Ciências de Lisboa. 1956: Participa num Colóquio Internacional de Literatura, em Saragoça. 1957: Publica o romance O Homem Disfarçado, que provoca acesas e opostas reacções, tanto no meio médico como no meio intelectual. 1958: Inicia o romance O Príncipe, interrompido pouco tempo depois. Um trecho desse livro seria publicado na revista Eva. 1959: Edita Cidade Solitária e a colectânea As Frias Madrugadas, na qual reúne toda a sua produção poética anterior. 1960: Sai o romance Domingo à Tarde, que obtém o Prémio José Lins do Rego. O mesmo romance é seleccionado como finalista do Prémio Internacional de Romance de Arenys del Mar. 1962: Adaptado ao cinema o livro Retalhos da Vida de Um Médico, por Jorge Brum do Canto. O filme é seleccionado para o Festival de Berlim. 1963: Publica a nova versão, refundida e ampliada, de Deuses e Demónios da Medicina, em dois volumes, e a segunda série de Retalhos da Vida de Um Médico. 1964: Obtém o 2.º prémio de Pintura na Exposição Colectiva de Artistas Médicos organizada no Porto e seguidamente repetida em Lisboa. Coordena, prefacia e apresenta um álbum dedicado a Aquilino Ribeiro. Publica, na Vértice, um trecho de mais um romance inacabado, a que dera o título Rio de Mouros. 1965: Manuel Guimarães adapta ao cinema o romance o Trigo e o Joio. Convidado a participar nos Encontros Internacionais de Genebra, recolhe aí elementos para um livro que abre um novo caminho na sua obra, entre o ensaísmo e a ficção: Diálogo em Setembro. Abandona o lugar de assistente do Instituto Português de Oncologia. 1966: António Macedo adapta ao cinema o romance Domingo à Tarde. O filme é seleccionado para o Festival de Veneza. Começa a preparar um romance sobre a emigração com o título provisório As Formigas do Inverno. 1967: O ensaísta Mário Sacramento publica Fernando Namora – a Obra e o Homem. 1968: Editado o primeiro volume da série «Cadernos de Um Escritor», com o título Um Sino na Montanha. 1969: Sai o livro de poemas Marketing, que reúne a produção poética compreendida entre 1959 e 1969. Manuel Guimarães realiza um filme sobre a sua vida e obra, com texto de Álvaro Salema. 1971: É publicado o volume Os Adoradores do Sol, na série «Cadernos de Um Escritor». 1972: Publica Os Clandestinos, finalista do prémio internacional instituído em Barcelona pela editora Seix Barral. É-lhe atribuído o Grande Prémio SOPEM, destinado a galardoar o conjunto da obra de um escritor médico. Convidado a realizar palestras e colóquios no Canadá. No prosseguimento dessa viagem visita pela primeira vez Nova Iorque. 1974: É publicado o livro Estamos no Vento, a que o autor chama «narrativa literário-sociológica», no qual aborda a temática da juventude e a ruptura entre gerações. 1975: Sérgio Ferreira realiza um filme sobre a sua vida e obra. Dá à estampa novo volume da série «Cadernos de Um Escritor», sob o título A Nave de Pedra. 1976: Convidado a participar no Congresso Internacional de Escritores, realizado em Moscovo, tem uma intervenção na sessão final. A Casa Sassetti edita um disco com uma selecção de textos de Retalhos da Vida de Um Médico, ditos por Sinde Filipe. 1977: Convidado a participar no Congresso Internacional de Escritores, em Sófia, não assiste porque, na mesma data, a convite da Comissão Nacional de Comemorações das Comunidades Portuguesas, realiza em São Paulo uma conferência sobre «Camões e a Portugalidade». Participa no Congresso de Crítica Literária, realizado em Campina Grande, Brasil, onde apresenta uma comunicação. É completada a edição em fascículos, ilustrada pelo pintor Júlio Resende, de Retalhos da Vida de Um Médico, comemorativa do 25.º aniversário desta obra. É publicada a narrativa Cavalgada Cinzenta, que documenta a viagem realizada 1980. Publica Resposta a Matilde.1982: Publica Rio Triste, romance a que foi atribuído o Prémio Fernando Chinaglia. 1984: Sai o livro de poemas Nome para uma Casa. 1986: Publica Sentados na Relva, mais um volume de «Cadernos de um Escritor», e URSS, Mal Amada, Bem Amada. Adaptação para televisão de Resposta a Matilde. 1988: É publicado Jornal sem Data (Cadernos de um Escritor). Comemora-se o 50.º ano da sua vida literária. É agraciado com a Grã Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique. 1989: Morre em Lisboa, a 31 de Janeiro.

 

AS ORIGENS


Igreja Matriz em Condeixa-a-Nova

 

Fernando Gonçalves Namora nasce em Condeixa a 15 de Abril de 1919, filho de António Mendes Namora e de Albertina Augusta Gonçalves Namora, ambos oriundos de famílias de camponeses da aldeia de Vale Florido, do concelho de Ansião. Mais tarde, os pais abandonarão a agricultura e abrirão no rés do chão da casa que vão habitar em Condeixa, uma loja onde vendiam tecidos, lãs, fitas, etc

O ESTUDANTE

 


Concluída a instrução primária na escola local, inicia os estudos liceais no Colégio Camões, em Coimbra, ambiência que se reflectirá no seu primeiro romance, As Sete Partidas do Mundo. Em 1932, transita para o Liceu Camões, de Lisboa, onde permanece durante dois anos, tendo sido condiscípulo de Jorge de Sena. Redige e ilustra um jornal do Liceu, manuscrito. Acentua-se ali a sua vocação para as artes plásticas, manifestada desde a infância. Em 1935, regressa a Coimbra, passando a estudar no Liceu José Falcão, onde passado algum tempo surge como director do Jornal académico Alvorada. Durante esse período escreve o seu primeiro livro, Almas sem Rumo, colectânea de novelas, que fica inédito. Em 1936, matricula-se nos preparatórios médicos da Faculdade de Medicina de Coimbra. Juntamente com Carlos de Oliveira e Artur Varela, publica em 1937, o livro de contos Cabeças de Barro. Em 1942, conclui a licenciatura em Medicina.

 

O MÉDICO


Monsanto da Beira

 


Pavia
 

Abre consultório em Condeixa em 1942. No ano seguinte passa a exercer clínica em Tinalhas (Castelo Branco). Em 1944 muda para Monsanto da Beira, como médico municipal substituto. Em Outubro de 1946 vai ocupar o lugar de médico municipal em Pavia. Em Dezembro de 1950, abandona Pavia e é admitido como assistente do Instituto Português de Oncologia, em Lisboa, lugar que abandona em 1965.

A experiência de João Semana que obteve enquanto exerceu medicina no Portugal profundo e que só viria a terminar em 1965, com a sua entrada para médico do Instituto Português de Oncologia, em Lisboa, deu-lhe uma vivência humana extremamente rica e um contacto privilegiado com as pessoas rudes e autênticas dessas províncias do interior. Foi conhecendo-as, que Namora pode escrever Retalhos da vida de um médico, livro que muito o ajudou no seu reconhecimento público e no lançamento editorial internacional.

 

O ESCRITOR

 

Pode dizer-se que a sua actividade literária começou em 1932, quando ingressa no Liceu Camões, de Lisboa, onde permanece durante dois anos. Aí redige e ilustra um jornal do Liceu, manuscrito. Em 1935, de novo estudante em Coimbra, agora no Liceu José Falcão, surge como director do Jornal académico Alvorada. Durante esse período escreve o seu primeiro livro, Almas sem Rumo, colectânea de novelas, que ficou inédito. Em 1937, tendo como co-autores Carlos de Oliveira e Artur Varela, publica o livro de contos Cabeças de Barro e no ano seguinte publica o seu primeiro livro de poemas, Relevos e publica o romance As Sete Partidas do Mundo, que obteve o Prémio Almeida Garrett. A partir daí, Fernando Namora mantém uma actividade constante de escritor paralelamente com a de médico até 1965, ano em que abandona a sua actividade médica e se dedica por inteiro à escrita.

 

 

O NEO-REALISMO


Retalhos da Vida de um Médico


A actividade literária de Fernando Namora pode, segundo a maioria dos críticos e analistas ser dividida em quatro ciclos, o primeiro dos quais ou «ciclo estudantil» retrata nas suas obras a vida estudantil do Liceu e da Universidade. 

Em 1941, juntamente com outros companheiros, Fernando Namora concre­tiza a ideia do «Novo Cancioneiro», que assinala o advento do neo-realismo, demarcando uma viragem na literatura portuguesa. É um livro seu, Terra, que dá início a essa nova colecção poética.

A sua obra evoluiu no sentido do amadurecimento estético do Neo-Realismo, o que o levou a um caminho mais pessoal. Não desdenhando a análise social, os seus textos foram cada vez mais marcados por aspectos de picaresco, observações naturalistas e algum existencialismo.

Fernando Namora foi um escritor dotado de uma profunda capacidade de análise psicológica, a que ligou uma linguagem de grande carga poética.

É a partir de Fogo na Noite Escura que ganham visibilidade na obra de Namora as preocupações comuns ao movimento nascente, indo ao encontro do que ele próprio define como «a perspectiva histórica que lhe é oferecida». As mudanças que ocorreram no desempenho da sua actividade como médico escritor, que inicia no país profundo a sua actividade profissional, facilitaram o crescente empenho na prospecção de casos humanos.

O segundo ciclo, chamado «ciclo rural» corresponde à sua permanência em Tinalhas (em pleno surto volframista), Monsanto da Beira e Pavia. Este ciclo rural estende-se de 1943 a 1950, e é tido como o período durante o qual se consagraram o romancista e o novelista. Foram então publicadas as novelas Casa da Malta (escrita em oito dias) e Minas de São Francisco, os romances A Noite e a Madrugada e O Trigo e o Joio e esse surpreendente Retalhos da Vida de um Médico (1ª série), que lhe dá projecção internacional a partir da edição espanhola prefaciada por Gregório Marañon.

O «ciclo urbano» caracteriza-se por uma situação de conflito declarado entre o «aldeão atarantado» e a sociedade lisboeta e tem o seu ponto mais agudo na forte controvérsia gerada em torno do romance O Homem Disfarçado, tanto no seio da classe médica como nos meios literários.

E finalmente o quarto ciclo que corresponde ao aparecimento dos chamados «cadernos de um escritor», em que é manifesta a influência que resulta da sua abertura ao mundo, através das múltiplas viagens ao estrangeiro e do contacto com outros pensadores e escritores, do contacto com outras formas de vida e de sistemas.

Fernando Namora é dos autores mais representativos do Neo-Realismo literário em Portugal. Desenvolvendo paralelamente à vida literária a actividade de médico, Namora buscou na realidade de sua profissão a matéria-prima para a composição de considerável parte de seus livros. 

Como diz um dos seus analistas «Ao lermos um romance de Namora, facilmente percebemos que suas personagens não são tipos contaminados de automatismos, mas sim indivíduos dotados de especificidade, que sofrem e lutam para compreender – e modificar – o ambiente social em que vivem. As figuras criadas pelo escritor-médico não são o camponês, o engenheiro ou o mineiro; mas sim um camponês, um engenheiro e um mineiro».

 

 

OS LIVROS

 

 

Almas sem Rumo, 1936 Cabeças de Barro, 1937 (com Carlos de Oliveira e Artur Varela) Pecado Venial, 1937 (é anunciado, mas não chegou a ser publicado) Relevos, 1938  As Sete Partidas do Mundo, 1938  Mar de Sargaços, 1940 Arado, 1940 (não chega a publicar) Terra, 1941 Fogo na Noite Escura, 1943 Casa da Malta, 1945 Minas de S. Francisco, 1946 Retalhos da Vida de um Médico, 1949 A Noite e a Madrugada, 1950 Memórias Imaginárias de um médico, 1951(inacabado; só publicados os primeiros capítulos) Deuses e Demónios da Medicina, 1952 O Trigo e o Joio, 1954 O Homem Disfarçado, 1957 O Príncipe (iniciado e interrompido pouco depois), 1958 As Frias Madrugadas, 1959 Cidade Solitária, 1959 Domingo à Tarde, 1961 Rio de Mouros (inacabado), 1964 Diálogo em Setembro, 1966 As Formigas de Inverno (romance sobre a imigração, que não passou da fase preparatória), 1966 Cadernos de um Escritor (Um Sino na Montanha), 1968 Marketing, 1969 Os Adoradores do Sol, 1971 Os Clandestinos, 1972 Estamos no vento, 1974 A Nave de Pedra, 1975 Cavalgada Cinzenta, 1977 Resposta a Matilde, 1980 O Rio Triste, 1982 Tinha chovido de véspera, 1982  Nome para uma Casa, 1984 Sentados na Relva, 1986 URSS, Mal Amada, Bem Amada, 1986 Jornal sem Data (Cadernos de um Escritor), 1988.  

 

AS TRADUÇÕES

 


É um dos escritores portugueses mais traduzidos em todo o mundo. A primeira edição estrangeira dos seus li­vros, foi Escenas de la vida de un médico, com prefácio de Gregório Marañon.

Os seus romances foram traduzidos em dezenas de países, tendo sido, juntamente com Soeiro Pereira Gomes e Eça de Queiroz, um dos três primeiros escritores portugueses a serem traduzidos na China. França, Alemanha, Roménia, Polónia, União Soviética, Brasil, Argentina, Espanha, Itália, Venezuela, Inglaterra, etc … formam uma extensa lista de países onde Namora conquistou público bastante para esgotar muitas dessas edições.

Por exemplo, na Roménia foram traduzidos os livros Casa da Malta (Casa vagabonzilor), por Micaela Ghitescu, Rio Triste (Fluviul trist), por Odette Margaritescu, Os Clandestinos (Mastile), por Odette Margaritescu e O trigo e o joio (Graul si neghina), por Aurel Covaci.

Na Polónia foram traduzidos Domingo à tarde, por Anna Hermanowicz-Palka e Marek Baterowicz, O Homem disfarçado, por Janina Klawa e Tinha chovido na véspera, por Krystyna e Wojciech Chabasinscy.

Em França Fogo na noite escura foi traduzido por René Bandé para as Éditions Stock, em 1971 e rapidamente esgotou. Retalhos da vida de um médico foi traduzido por Jacques Alibert e Alzer  Barreto com a colaboração de Janine Baud, para as Nouvelles Éditions latines. O trigo e o joio foi traduzido por Paulette Demerson, para as Éditions Plon «Feux Croisés». O Homem Disfarçado, 1957), traduzido por Paulette Demerson e Robert Paufique, para as Éditions Plon, «Feux croisés», esgotado. Domingo à Tarde, traduzido por Paulette Demerson para as Éditions Plon, «Feux croisés», esgotado. Os Clandestinos, traduzido por Roberto Quemserat para Éditeurs Français Réunis, esgotado. Rio Triste, traduzido por Catherine Meunier para as Éditions La Différence, «Littérature étrangère» e Fondation Calouste Gulbenkian.

Foram feitas edições em Braille de Retalhos da vida de um médico, Os Clandestinos e As sete partidas do mundo.


 

AS REVISTAS EM QUE COLABOROU

 

 


Para além das revistas que criou ou dirigiu (Jornal do Liceu Camões, Jornal Académico Alvorada, Revista literária Altitude), deixou colaboração dispersa pelas revistas Sol Nascente, Diabo, Seara Nova, Colóquio-Letras, JL, Mundo Literário, Ver e Crer, Presença, Altitude, Revista de Portugal, Eva, Vida Mundial Ilustrada, Vértice, Boletim do Instituto Português de Oncologia, Jornal do Médico e outras.

 

OS FILMES

Em 1962 Jorge Brum do Canto filma RETALHOS DA VIDA DE UM MÉDICO. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a TÁBUA CRONOLÓGICA.


CINEMA

Retalhos da Vida de Um Médico (1962), realizado por Jorge Brum do Canto, com Jorge Sousa Costa, João Guedes, Emílio Guimarães, Irene Cruz. Seleccionado para o Festival de Berlim.

O Trigo e o Joio (1965), realizado por Manuel Guimarães, com Manuel da Fonseca.

Domingo à Tarde (1966), realizado por António Macedo e produzido por Cunha Telles, sendo a estreia em 13ABR1966 no Cinema Império, Lisboa, com Isabel de Castro (Clarisse), Ruy de Carvalho (Jorge), Isabel Ruth (Lúcia), Alexandre Passos (Preso), Constança Navarro (Velha do Poço), Cremilde Gil (Enfermeira) e Fernanda Borsatti (Maria Armanda). Seleccionado para o Festival de Veneza.

O Rapaz do Tambor (1990), realizado por  Vítor Silva, com João Luís Silva, José Eduardo, Raquel Maria.(curta metragem).

Fernando Namora – Vida e Obra, realizado por Sérgio Ferreira

TELEVISÃO

Retalhos da Vida de um Médico, série televisiva por Artur Ramos e Jaime Silva (1979-1980).

Fernando Namora, (1969), realizado por Manuel Guimarães.

A Noite e a Madrugada, realizada por Artur Ramos.

Resposta a Matilde, adaptada a televisão em 1986, por Dinis Machado e Artur Ramos com Rui Mendes, Júlio César, Estrela Novais, Filipe Ferrer, Canto e Castro, Aida Baptista, Fernanda Borsatti, Fernanda Coimbra, Luís Alberto, António Anjos, Gil Matias e Maria Alberta e a participação de Raul Solnado e Rogério Paulo.

 

AS ARTES PLÁSTICAS

 


Em 1938, recebeu o Prémio Mestre António Augusto Gonçalves de artes plásticas.

Em 1944, realiza a sua única exposição individual de pintura, em Castelo Branco.

Em 1949, expõe obras suas em Paris, numa exposição colectiva e internacional de artistas médicos.

Em 1964, obteve o 2.º Prémio de Pintura na Exposição Colectiva de Artistas Médicos, realizada na cidade do Porto e posteriormente repetida em Lisboa.
 

ACTIVIDADE INTERNACIONAL

 


Participa, em Paris, numa exposição internacional de artistas plásticos médicos, 1949.

1952: Realiza a sua primeira viagem ao estrangeiro, indo a França, Bélgica e Holanda. Daí em diante, tornar-se-ão frequentes, mas sempre breves, as suas estadas no estrangeiro (na Europa, nas Américas e em África), e essa experiência de viajante ampliará as perspectivas e a temática da sua obra.

Participa num Colóquio Internacional de Literatura, em Saragoça, 1956.

Convidado a participar nos Encontros Internacionais de Genebra, recolhe aí elementos para um livro que abre um novo caminho na sua obra, entre o ensaísmo e a ficção: Diálogo em Setembro.
A partir desta experiência humana e cultural, o contexto português, na obra do autor, passa a ser confrontado com um contexto universal, 1965.

Estada nos países escandinavos e na Rússia nórdica, 1971.

Convidado a realizar palestras e colóquios no Canadá. No prosseguimento dessa viagem visita pela primeira vez Nova Iorque, 1972.

Convidado a participar no Congresso Internacional de Escritores, realizado em Moscovo, onde tem uma intervenção na sessão final, 1976.

Convidado a participar no Congresso Internacional de Escritores, em Sófia, 1977, a que não assiste porque, na mesma data, a convite da Comissão Nacional de Comemorações das Comunidades Portuguesas, realiza em São Paulo uma conferência sobre «Camões e a Portugalidade». Participa no Congresso de Crítica Literária, realizado em Campina Grande, Brasil, onde apresenta uma comunicação.

 

A SOPEM

 


Embora fosse uma ideia que durante muitos anos germinou na cabeça de alguns dos médicos que se dedicavam à escrita, só no ano de 1969 é que se concretizou a criação desta Sociedade.

Foi criada inicialmente com a designação de Sociedade Portuguesa dos Escritores Médicos – a SOPEM – e teve como seu primeiro presidente o Prof. Barahona Fernandes, como vice-presidente Fernando Namora e como secretário geral Mário Cardia. Faziam também parte dessa primeira direcção, Taborda de Vasconcelos, Alexandre Sarmento, Lopes Dias, Pacheco Neves e Seabra Dinis.

Logo no ano da sua criação, a SOPEM fez-se representar, na pessoa do seu secretário geral
Mário Cardia, no 9º Congresso da União Mundial dos Escritores Médicos, criada em 1960 e,
nesse ano, realizado em Nice.

A primeira manifestação pública da SOPEM, realizou-se na Ordem dos Médicos, numa sessão pública de homenagem a Júlio Dinis, comemorativa do centenário do seu nascimento.

 

O PERSONAGEM NA PRIMEIRA PESSOA

Diz Fernando Namora: a chamada indecência da vida literária não nos é exclusiva, não. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a TÁBUA CRONOLÓGICA.


Ser escritor hoje, em Portugal, é exercer uma actividade que, apesar de bem castigada com tributos, deve ser das raras que o Estado desconhece em termos de encorajamento. 

Seríamos tentados a acrescentar Lisboa, mas Lisboa é outra coisa. Menos perdidamente
civilizada e menos eufemística, Lisboa prefere a navalhada ao virar da esquina, prefere ser rasca. Tece conjuras na sombra, com qualquer poeta adunco e piloso a distribuir pelo gang lâminas de barba com que golpear as canelas da vítima, cospe grosso, verte bílis - mas tudo isso numa
Lisboa rasteira. E à meia volta. Com a ambígua excepção dos velhacos importados, que, ao
aclimatarem-se, refinam o veneno luso com um tempero cosmopolita.

Com efeito, a chamada indecência da vida literária não nos é exclusiva, não.  A crastadora inveja (quem disse que a inveja é o mais dramático sinal da frustração?), o golpe baixo, a mesquinhez e
a torpeza estão longe de ser estigmas nossos eu, Eu, EU. É um espectáculo triste ver escritores lúcidos incharem de tal modo o balão do seu caso, o balão da sua pessoa, que nada mais fica do que a expectativa do inevitável estoiro. O mundo todo é deles. É deles. Os outros existem apenas porque não há palco sem auditório.

Por mim, que tenho investido na arte uma experiência existencial e não uma simples elaboração cerebral, a escrita impregna-se de uma atmosfera afectiva – mesmo quando os meus livros reflectem uma vincada preocupação social.

Confesso não ter vergonha de acreditar naquilo em que acredito: no cada vez mais raro companheirismo, por exemplo; na dedicação a pessoas ou na fidelidade a objectivos.

 Sim, é antigo e sempre se retoma, tantas vezes de modo errado, esse conflito entre críticos e artistas, embora sejamos de opinião que as profundas razões se encontram noutro lado, talvez
na falta de rigor e de verdade com que, tão leviana e constantemente, se erguem hossanas em louvor de certos escritores ou artistas e se proferem veementes protestos contra outros que, pela sua obra e pelo exemplo das posições assumidas, deviam merecer outra aceitação ou justificar uma rigorosa atitude crítica. Sabemos bem que existem diferentes padrões para encarar a arte
(ou a criação literária) e que, enquadrando-se essa  mesma arte e criação no seu tempo e espaço próprios, a crítica deverá assim necessariamente corresponder aos mesmos postulados estéticos
e ideológicos. Criticar é, e sempre foi, apostar, dizer o que vale e não vale, segundo as nossas opções e preferências, dizer do seu pessoal modo de ler e compreender os homens e o mundo.


 

E NA TERCEIRA PESSOA

 


Os que nele (O Homem Disfarçado) se pressentiram retratados atribuíram-no ao despeito ou à desforra de quem preferiu, a uma carreira "triunfal" de traficante do sofrimento alheio, a luta contra
a alienação que tudo mascara. (Mário Sacramento)

A minha primeira exposição individual, realizou-se na Livraria Guimarães, pelos anos 50, onde expus a convite de Fernando Namora as ilustrações para o seu livro «As minas de S. Francisco». Foi uma oportunidade que recordo com gratidão. Fernando Namora, médico e também pintor
para além da sua importante e essencial actividade como escritor, é um bom exemplo de que esta multiplicidade de implicações lhe permitiam uma visão e uma compreensão ampla e solidária do mundo. (Rogério Ribeiro)

Na sua obra, o sentido que se propõe dar a ler ao leitor é fixado com antecipação, mesmo que a ordem dos capítulos seja modificável. Apresenta-se como misto do antigo e do novo na criação literária, como transição do antigo para o novo numa trajectória inovadora. (Pierrette e Gérard Chalendar)

Sobre a vida e obra de Fernando Namora foram escritos mais de 47 importantes trabalhos. Escritos por críticos e ensaístas e ainda por universitários, sob a forma de teses de doutoramento ou de mestrado.
 


 

O RECONHECIMENTO


Medalha dos 50 anos de vida literária


Pertenceu e foi sócio das seguintes sociedades:

Instituto de Coimbra, 

Instituição de Fernando, o Católico, de Saragoça,

Academia das Ciências de Lisboa,

Academia Brasileira de Letras,

Associação Brasileira de Escritores Médicos,

Instituto de História da Medicina,

Universidade do Alasca (membro honorário),

Instituto Médico de Sófia,

Hispanic Society of America (Nova Iorque),

Academia Europeia das Ciências, Artes e Letras (membro eleito, 1986).

Prémio Almeida Garrett em 1938, para o livro As sete partidas do mundo.

Prémio Mestre António Augusto Gonçalves, 1938 para a sua obra de artes plásticas.

Prémio Vértice, em 1949, para Retalhos da vida de um médico, disputado entre os dez melhores livros dos últimos dez anos.

Prémio Ricardo Malheiros em 1952 para o livro Minas de S. Francisco (nova versão).

Prémio José Lins do Rego em 1960, para o livro Domingo à tarde.

Prémio Internacional de Romance de Arenys del Mar (Domingo à tarde foi  seleccionado, em 1960, como finalista).

2.º Prémio de Pintura na Exposição Colectiva de artistas médicos organizada no Porto e depois repetida em Lisboa (1964).

Prémio Internacional Seix Barral, de Barcelona (Os Clandestinos, em 1972, foi seleccionado como finalista).

Grande Prémio SOPEM, 1972.

Prémio D. Diniz, da Fundação Casa de Mateus, 1982 para o livro Resposta a Matilde.

Prémio Fernando Chinaglia para o livro Rio Triste 1982.

Agraciado com a Grã Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique, em 1988.

Em 1967, o ensaísta Mário Sacramento publica Fernando Namora –  A Obra e o Homem.

Em 1969, Manuel Guimarães realiza um filme sobre a sua vida e obra, com texto de Álvaro Salema.

Em 1975, Sérgio Ferreira realiza um filme sobre a sua vida e obra.

A Casa Sassetti edita um disco em 1976, com uma selecção de textos de Retalhos da Vida de
Um Médico,
ditos por Sinde Filipe.

Proposto para Prémio Nobel da Literatura, em 1981.

Foi criado em sua memória o Prémio Literário Fernando Namora, no valor de 15.000 euros, que vai na sua 10.ª edição, tendo sido o último prémio atribuído a António Lobo Antunes que, tal como Namora, é médico e escritor.

São inúmeras as cidades e vilas de Portugal que perpetuam o nome de Fernando Namora nas suas ruas, avenidas ou pracetas. Lisboa, Coimbra, Monsanto, Lousã, Massamá, Pavia, Condeixa, Castelo Branco, Pedrouços-Maia, Beja, Idanha-a-Nova … 

Existem também Escolas Secundárias que escolheram para seu patrono o nome de Fernando Namora, de que é exemplo a ES da Brandoa (Amadora).
 

A CASA MUSEU


Foi inaugurada a. 30 de Junho de 1990, em Condeixa, ocupando a casa que foi residência de
seus pais e sua, quando se estabeleceram em Condeixa com um estabelecimento comercial que ocupava o rés do chão desta casa que hoje é museu. Ali se encontram objectos e documentos pessoais, quadros de sua autoria e livros.
 

O DESAPARECIMENTO

 


Em 31 de Janeiro de 1989, o The New York Times, noticiava assim – Fernando Namora, one of Portugal’s best-known novelists, died today. He was 69 years old. Depois fazia um resumo biográfico.

Todos os jornais portugueses deram a notícia, bem como as rádios e televisões.
 

 

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